UMA PROEZA inédita em todo o Mundo está no horizonte de Carlos César Pimentel, que recentemente revalidou o título mundial sagrando-se campeão de “masters” na Maia. “Se ganhar o Campeonato do Mundo de absolutos em 16 de Novembro de 2000, na Malásia, serei o primeiro atleta em todo o Mundo a ganhar as quatro principais provas da IFBB na mesma categoria”, avança o bicampeão.
As provas da IFBB (Federação Internacional de Culturismo) são o Europeu, o Mundial, o Campeonato dos Países do Mar Mediterrâneo, e a categoria de absolutos, já que a de “masters” é para atletas com mais de 40 anos.
Mas antes, a 8 de Novembro, Carlos César – aos 44 anos, é o atleta com mais tempo de prática da modalidade no activo: há 25 anos que pratica, 20 dos quais em competição – gostaria de dar uma “bofetada de luva branca” às entidades oficiais, ganhando um título com a selecção portuguesa no Europeu de Lausana, a “mais importante competição de sempre da IFBB”, que servirá como teste para a inclusão do culturismo no programa dos Jogos Olímpicos, com o presidente do Comité Olímpico Internacional (COI) na assistência:
“Vai estar lá o [Juan Antonio] Samaranch e, se eu ganhar, de certeza que o secretário de Estado do Desporto vai a correr esperar-me ao aeroporto”, afirma Carlos César, também confiante na conquista Mundial, uma semana depois.
Entretanto, não esconde estar sentido com a falta de reconhecimento de quem de direito: “Tenho sido marginalizado. Fui duas vezes campeão do Mundo e não recebi um único telefonema de parabéns nem um agradecimento. Só o Comité Olímpico Internacional me telefonou a felicitar-me pelo título, quando ganhei o Campeonato do Mundo em Barcelona. E nunca ganhei as bolsas de 3500 contos que são atribuídas aos campeões mundiais.”
Esta amargura de quem não é profeta na sua terra tem outras raízes:
“Estou um bocado sentido, não tanto por mim, que tenho a carreira lançada, mas pelos novos valores que poderiam surgir, mas não têm motivação nem estímulo. Quantos campeões haverá entre nós? Acho que o Governo desconhece que há 200 mil praticantes de musculação em Portugal”, desabafa Carlos César.
QUEM É QUEM
Nome: Carlos César Pimentel de Matos
Data de nascimento: 19/05/55
Naturalidade: Angola
Nacionalidade: Portuguesa
Peso: 90 quilos
Altura: 1,70 metros
Principais resultados: Campeão nacional (1978, 1980 e 1983); campeão dos Países do Mar Mediterrâneo (1987); vice-campeão europeu (1988); campeão europeu (1991); 5º no Mundial de absolutos (1995); campeão mundial de “masters” em 1998 e 1999; 4º no Mundial de absolutos (1999)
CARLOS CÉSAR DÁ A RECEITA DO SUCESSO NA MODALIDADE
Carlos César vive do culturismo. Tem um ginásio em Lisboa – com alguns clientes VIP, caso do jornalista Raul Durão ou da ex-modelo Xana Nunes –, onde se treina a si próprio e já preparou vários campeões na modalidade, em especial no sector feminino: pelas suas mãos passaram as campeãs nacionais Ana Eva, Marisa Pinto e Sabrina Ruan.
”É mais fácil preparar mulheres, que se podem tornar campeãs nacionais em dois anos, desde que tenham uma estética bonita e condições fisicas razoáveis, pois não necessitam de tanta massa muscular como os homens.
Estes precisam de cinco ou seis anos para chegar a um título”, refere o mestre.
E a que custo? ”Os praticantes têm de ter uma alimentação regrada, à base de carnes brancas, salada, arroz, esparguete e fruta, treinar no mínimo hora e meia por dia, e descansar muito. E nada de álcool, tabaco, ou discotecas! Há poucos campeões porque a modalidade exige muito sacrifício e as pessoas não querem abdicar da vida fácil que há hoje”, diz.
O ”Pelé” do culturismo é o norte-americano de origem austríaca Arnold Schwarzenegger, hoje mais conhecido como actor: ”Schwarzenegger é a referência máxima. Tive o prazer de o conhecer no último Mundial e é uma personalidade que impressiona pela força e inteligência”, recorda o bicampeão do Mundo.
Carlos César participará nos EUA, em Agosto, no Mister Olympia, reservado a profissionais: ”É o culminar da modalidade, a Olimpíada do culturismo, em que só entram 16 atletas”, explica.
Depois seguem-se o Europeu de Lausana e o Mundial de absolutos, na Malásia (para o qual o português obteve apuramento directo ao terminar no quarto lugar no Mundial da categoria, em Bratislava, Eslováquia), onde as medalhas serão, pela primeira vez, de ouro, no valor de 800 contos cada uma, por oferta do Governo malaio.
Mas estas são provas amadoras, e, para nelas participar, Carlos César tem de abdicar da carteira profissional, e requerê-la de novo posteriormente.
LUÍS QUARESMA COSTA
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