Desporto em Portugal no fundo da Europa

Mexer é fundamental
• Foto: Pedro Ferreira

Dados preocupantes estes apresentados recentemente pelo Eurobarómetro: Portugal é o país da União Europeia onde a população afirma praticar menos desporto. Como pode ver na infografia na página à direita, entre os 27 estados-membro, o nosso país encontra-se no fundo da lista, com 68 por cento dos inquiridos a afirmar mesmo que não faz qualquer atividade física, sendo que apenas 4% refere que o faz diariamente e 24% várias vezes por semana. Números bastante distantes dos que, por exemplo, se veem no Norte da Europa, onde apenas 8% dos finlandeses inquiridos nunca praticam desporto, sendo que na Dinamarca são apenas 12%.

Mesmo assim, há uma tendência positiva em Portugal. Em relação ao último estudo, de abril de 2022, há uma descida na ordem de 5 pontos percentuais no que toca ao número de inquiridos a responder que nunca pratica desporto (de 73% para 68). Em sentido contrário, a percentagem dos que dizem fazê-lo várias vezes por semana subiu 6 pontos, de 18% para 24.

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O cenário repete-se quando a pergunta abrange a atividade física num contexto não desportivo, como ir de bicicleta para o trabalho ou dançar. Também aqui Portugal surge em último lugar: 51% dos inquiridos afirmam nunca realizar estas atividades, quase o triplo da média europeia, que se fixa nos 18%.

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A falta de motivação é o principal obstáculo apontado pelos portugueses para não praticarem desporto com maior regularidade, reunindo 39% das respostas. Segue-se a falta de tempo por razões profissionais, escolares ou familiares, invocada por 31%, enquanto 11% indicam problemas de saúde.

As diferenças entre gerações são expressivas também são expressivas. Entre os homens com mais de 75 anos, 95% dizem nunca praticar desporto, a percentagem mais elevada dos grupos apresentados. Seguem-se os homens dos 65 aos 74 anos (87%), as mulheres com mais de 75 anos (86%) e os homens dos 55 aos 64 anos (83%).

A inatividade tem um peso significativo entre os adultos mais novos: dos 25 aos 34 anos, 51% dos homens afirmam nunca fazer desporto, valor que desce para 44% entre as mulheres. Já os jovens dos 15 aos 24 anos são os mais ativos: 85% dos rapazes dizem praticar desporto, 63% nas raparigas.

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Apesar da reduzida prática desportiva, os portugueses reconhecem os seus benefícios... o que não deixa de ser curioso. Portugal está entre os países da União Europeia onde essa perceção é mais elevada: 98% dos inquiridos consideram que o desporto contribui para melhorar a saúde mental, 93% valorizam a sua importância no desenvolvimento de um sentido de comunidade e 88% reconhecem o seu contributo para o bem-estar de grupos marginalizados. Os três indicadores superam a média europeia.

Os resultados revelam uma distância entre o reconhecimento das vantagens do desporto e a sua presença no quotidiano dos portugueses. A evolução face a 2022 é favorável, mas ainda insuficiente para retirar Portugal dos últimos lugares. 

A Comissão Europeia destacou, em comunicado, que se está a notar “um aumento na prática desportiva” verificada nos últimos quatro anos no compto geral entre os países alvo deste estudo.

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“A percentagem de cidadãos que pratica desporto várias vezes por semana subiu para 36% (mais seis pontos percentuais). Ao mesmo tempo, a percentagem de cidadãos que nunca faz exercício ou pratica desporto desceu de 45% em 2022 para 39% este ano”, indica o executivo europeu.

Importa referir que este Eurobarómetro que aqui expomos os seus dados mais relevantes tem por base entrevistas realizada a um total de 26.421 cidadãos europeus entre os dias 9 de abril e 4 de maio. Durante o mês de abril, em Portugal foram inquiridos 1.031 pessoas. 

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O Eurobarómetro Especial 574 - Desporto e Atividade Física, realizado em 2026, apresenta um retrato preocupante: Portugal continua muito abaixo da média da UE27 na prática de exercício, desporto e atividade física quotidiana.

O dado mais expressivo é claro: 68% dos portugueses afirmam nunca praticar exercício ou desporto, contra 39% na União Europeia. Apenas 4% o fazem quase diariamente e 24% várias vezes por semana.

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O problema ultrapassa o desporto organizado. Quando se consideram atividades como caminhar, andar de bicicleta, dançar ou fazer jardinagem, 51% dos portugueses dizem nunca as realizar, contra 18% na UE. Apenas 39% caminham pelo menos 10 minutos consecutivos entre 4 e 7 dias por semana, quando a média europeia é de 72%. Mais preocupante: 30% dizem nunca caminhar sequer 10 minutos seguidos, contra apenas 4% na UE. Portugal enfrenta, assim, não apenas uma escassez de praticantes desportivos, mas uma insuficiente cultura motora.

Um dos resultados mais significativos surge na passagem para a idade adulta. Entre os homens portugueses dos 15 aos 24 anos, 15% nunca praticam exercício ou desporto; entre os 25 e os 34 anos, são já 51%. O Eurobarómetro não permite estabelecer as causas, mas o contraste justifica uma reflexão sobre a capacidade da escola, das autarquias, dos clubes e das políticas públicas para assegurar a continuidade da prática ao longo da vida.

Também as razões da inatividade são reveladoras. Enquanto na UE predomina a falta de tempo (37%), em Portugal destaca-se a falta de motivação ou interesse (39%, contra 26% na UE). Isto demonstra que construir instalações não basta. É necessário criar hábitos e motivação desde a infância e assegurar condições para a continuidade da prática.

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Os clubes continuam a ser fundamentais, mas não podem constituir a única resposta. Entre quem pratica alguma atividade, apenas 7% refere o clube desportivo como local de prática. Só 9% são membros de clubes desportivos, enquanto 25% pertencem a ginásios ou centros de exercício físico. Acresce que 85% dos portugueses não realizam nem planeiam realizar trabalho voluntário ligado ao desporto, contra 72% na UE.

Existe ainda um paradoxo: 98% reconhecem que a atividade física melhora a saúde mental, 95% valorizam o seu contributo para os laços comunitários e 88% para o bem-estar de grupos marginalizados. Existe, portanto, uma enorme distância entre reconhecer os benefícios e transformar esse reconhecimento em comportamentos.

A resposta exige uma política transversal, articulando escola, saúde, urbanismo, mobilidade, autarquias, clubes e associativismo. Não basta financiar federações, construir instalações ou organizar grandes eventos.

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O Eurobarómetro não explica, por si só, as causas nem permite atribuir responsabilidades. Mas deixa uma evidência: Portugal continua a mexer-se muito menos do que a média europeia.

Portugal não precisa apenas de promover mais desporto. Precisa de construir uma verdadeira cultura de movimento ao longo de toda a vida.

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Por Pedro Filipe Pinto
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