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Empresário australiano quer criar Jogos... abertos a atletas dopados

O empresário australiano Aron D’Souza lançou esta semana uma daquelas ideias que entra diretamente para o top na lista das mais arrojadas dos últimos tempos: a criação dos Enhanced Games, uma espécie de Jogos Olímpicos sem qualquer controlo antidoping. Na prática, nestes Jogos os atletas são 'convidados' a utilizarem substâncias dopantes e, assim, levar ao limite os próprios corpos.

A ideia de D'Souza passa por organizar a primeira edição destes inusitados Jogos em dezembro do próximo ano - com periodicidade anual -, já tem dois atletas australianos de renome na lista e a proposta é clara: desafiar os atuais Jogos Olímpicos. De acordo com o projeto apresentado, no programa entrarão o atletismo, a natação, o halterofilismo, ginástica e desportos de combate. Ainda não há palco para a primeira edição, mas o empresário garante que não será necessário um forte investimento em infraestruturas, especialmente porque o número de atletas será mais baixo em comparação com os Olímpicos.

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"O COI tem sido o único partido que comanda o mundo do desporto durante 100 anos. Agora chegou a oposição. Estamos prontos a lutar. Sei que vão jogar sujo e sei que vão ameaçar-nos. Mas no final de contas sei que nós somos aqueles que estão moralmente corretos", disse, em declarações à AAP.

"Os atletas são adultos e podem fazer o que bem lhes apetece com os seus corpos. É o meu corpo, a minha escolha; é o teu corpo, a tua escolha. E nenhum governo e nenhuma federação desportiva podem tomar essas decisões pelos atletas, particularmente em relação a produtos que são regulados e aprovados. Não é só uma questão de ver se conseguimos baixar dos 9 segundos aos 100 metros. Sei que vamos conseguir. Quero ver pessoas com 40, 50 ou 60 anos a bater recordes do mundo, porque a medicina desportiva de performance é o caminho para a fonte da juventude", declarou o empresário.

"Uma piada, uma injustiça, um perigo..."

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A ideia do empresário não caiu bem nas altas esferas do desporto australiano, como se compreende pelas declarações de Anna Meares, chefe de missão australiana para os Jogos Olímpicos de Paris. "É uma piada, para ser honesta. Injusto, inseguro, não me parece que seja a forma correta de agir no que ao desporto diz respeito", disse.

Por Fábio Lima
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