Paulo Jorge Pereira: «Agora não vale a pena recuar. Portugal tem de lutar por medalha no Mundial»

Paulo Jorge Pereira, o selecionador português
• Foto: Lusa/EPA

O selecionador português de andebol, Paulo Jorge Pereira, admitiu esta quarta-feira a inevitabilidade de lutar pelas medalhas no Mundial'2027, para cumprir o persistente objetivo de melhorar o resultado anterior, depois do histórico quinto lugar no Europeu'2026.

"As seleções e as equipas hoje ganham, mas, se calhar, amanhã não. Mas queremos estar sempre entre as melhores, estar sempre lá a lutar, como possibilidade de vencer outras equipas fortíssimas. Isso é o desporto de elite, o alto rendimento. Agora não vale a pena recuar. Se entrávamos para perder com as seleções que agora combatemos, agora o objetivo vai ser sempre melhorar resultados", começou por dizer o técnico, de 60 anos.

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Selecionador nacional desde 2016, o amarantino já levou Portugal à inédita presença nos Jogos Olímpicos Tóquio2020, tendo ainda comandado a equipa das quinas aos históricos quarto lugar no Mundial'2025 e quinto no Europeu'2026, além de outras presenças notáveis em fases finais.

E, por isso, avisa que as metas evolutivas são finitas.

"O objetivo de melhorar tem um fim, porque o fim é estar sempre presente e sempre com uma capacidade competitiva que nos permita dizer que vamos entrar para ganhar", referiu, enaltecendo "o grande logro de ser olhado cada vez com mais respeito".

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O quinto lugar alcançado no recente Campeonato da Europa melhorou o sexto de 2020, num país que "põe o carro à frente dos bois", que pode "começar a pensar em medalhas, antes de pensar e o trabalhar muito em muitas áreas que estão associadas ao desporto e à atividade física".

"Nós, até agora, temos sido arrojados por um lado, mas ao mesmo tempo, de certa forma, cautelosos. E eu posso já adiantar-lhe, mesmo sendo um pouco até incoerente naquilo que vou dizer, que, no próximo Mundial, como ficámos em quarto no anterior, temos vindo a fazer sempre isso, o nosso objetivo vai ser lutar por uma medalha", sublinhou.

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E, apesar de anotar as faltas estruturais, de "pavilhões para os quais temos de levar toda a roupa que temos em casa, por causa do frio", reconhece que essa ambição para o próximo ano é uma inevitabilidade: "Não sabemos se a vamos conseguir ou não, mas já não podemos voltar para trás. Agora já não podemos continuar com a conversa do vamos fazer o melhor possível. Isso acabou e ainda bem que acabou".

"Se queremos ter resultados consistentes de elite, temos de melhorar as infraestruturas para nos aproximarmos daqueles países que tenham resultados consistentes de elite. Portanto, é simples. É preciso fazer um investimento", sustentou.

A vitória frente à Dinamarca, no único desaire que a tetracampeã mundial e agora campeã da Europa sofreu em sua casa, foi "espetacular", mas valeu apenas dois pontos para a 'main round'.

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"Se não se fizer um jogo praticamente perfeito contra a Dinamarca, não se consegue ganhar, mas eu, sinceramente, não dou muita importância. Foi um jogo que valeu dois pontos para a fase seguinte. Era mais importante, depois, termos ganhado à Alemanha, que garantíamos a meia-final", afirmou, recordando que os germânicos "venceram por um, porque o último golo foi inválido".

Essa é também a vicissitude "de um país pequeno entre os grandes", apesar de, "claro que é chamativo ganhar à Dinamarca, em casa deles, com 15 mil pessoas a assistir e 45 portugueses", relativizou o técnico o triunfo frente aos anfitriões, após sete derrotas nos anteriores embates, o último dos quais por 13 golos, nas meias-finais do Mundial2025.

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"É um jogo que nunca mais vamos esquecer, fica na nossa memória porque foi uma coisa extraordinária, mas o que queríamos era melhorar o sexto lugar", reiterou.

Com o quinto posto, ficou assegurada a presença no Mundial2027, a quarta seguida e a primeira diretamente -- em 2003 foi organizador --, marcando também presença no Europeu2028, como coanfitrião com Espanha e Suíça.

"Vamos estar no Mundial por mérito, não é por cunha ou compadrio, e, seguramente, arranjaremos formas de competir. Não vamos ficar parados, nós vamos continuar a competir e, provavelmente, disputar um torneio com as seleções já apuradas", avisou.

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Além do quinto lugar final, do triunfo frente à Dinamarca, Portugal sai também do Europeu2026 com Francisco Costa como melhor jovem jogador e Salvador Salvador como melhor defesa, numa eleição "justíssima", concluiu Paulo Jorge Pereira.

Por Lusa
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