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Atletismo: João Pires que começar a ir aos grandes «meetings»

NO FINAL da época de 1998, o Benfica contratou-o ao Constantim, pequeno clube de Vila Real. Um ano depois, foi um dos quatro atletas que o prof. Moniz Pereira aceitou receber, cedido pelos encarnados. Ele passara quase despercebido nas eliminatórias do Mundial de Sevilha, mas a forma determinada como correu não enganava: estava-se em presença de uma grande esperança do meio-fundo curto nacional. Falamos de João Pires, a principal figura do Meeting do Sporting do passado domingo. Correu os 800 metros em 1.46,76, sem adversários a dar-lhe luta, a 46 centésimos do mínimo olímpico.

Nascido na Régua, há quase 21 anos (10 de Junho de 1979), João Pires vivia em Santa Marta de Penaguião. Para ele, o atletismo começou aos 10 anos, numa colónia de férias em Torreira (distrito de Aveiro). Organizaram-se umas corridas entre as várias camaratas e ele ganhou-as. No regresso, os colegas levaram-no ao Sanhoane, clube que representou até 1997, altura em que se transferiu para o Constantim (Vila Real). Começou a dar nas vistas no Olímpico Jovem, como juvenil, e em 1998, para além de bater o recorde nacional de juniores de 800 m (1.47,65), brilhou no Mundial da categoria, em França, sendo quarto, a escassos dois centésimos do pódio, sendo o melhor europeu.

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Na época passada, vinha periodicamente a Lisboa, para estágios no Centro de Alto Rendimento do Estádio Nacional. Desde Outubro, está no CAR em permanência, sendo acompanhado pelo seu treinador das últimas épocas, o prof. Vítor Reis, uma semana por mês, quando este se desloca a Lisboa. De resto, fica integrado no grupo de treino do prof. Bernardo Manuel.

”A princípio, custou-me”, confessa João Pires. ”Vinha de uma pequena aldeia, não tinha cá os amigos e familiares... Mas, depois, comecei a habituar-me ao grupo, eles têm ajudado muito, e, agora, estou perfeitamente integrado e muito satisfeito. É um grupo muito unido e todos, do Rui Silva ao Luís Feiteira, me ajudam.” Rui Silva é muito elogiado por João Pires, dois anos mais novo: ”É muito humilde, capaz de tudo para nos ajudar.”

João Pires já esperava um bom tempo, mas não contava para já com o recorde pessoal. ”Tinha-me mentalizado de que teria que dar tudo, mesmo correndo contra-relógio, para conseguir um bom tempo que me desse acesso aos ’meetings’.” O seu empresário é o espanhol Miguel Mostaza (o mesmo de Rui Silva) e João Pires conta começar a competir internacionalmente em finais de Junho. ”No próximo fim-de-semana deverei correr 400 ou 1500 m e só voltarei aos 800 m na Taça dos Campeões Europeus. Mas deve ser uma prova táctica...”

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O seu objectivo próximo passa pelos Jogos de Sydney. ”E espero aproximar-me do recorde nacional (1.45,12)...” Dentro de ”uns dois anos” será a subida aos 1500 m, ”quando tiver esgotado os 800 m”. Mas, então, ”já o Rui Silva correrá os 5000 m...”

VÍTOR REIS, O TREINADOR, AINDA NÃO ESPERA RECORDES

João Pires é orientado por dois treinadores. O seu técnico dos últimos anos, Vítor Reis, vem uma semana por mês a Lisboa e faz-lhe a programação; Bernardo Manuel acompanha-o no dia-a-dia. É um trabalho de equipa. Para o técnico de Vila Real, a doença que afectou o atleta no Inverno (”não se chegou a perceber o que era, talvez uma anemia”) acabou por ser benéfica. ”Permitiu-lhe começar mais cedo a preparar a época de pista.” O tempo agora obtido não o surpreendeu. ”O objectivo era fazer menos de 1.47, o que já era muito bom, visto tratar-se da primeira prova da época”. O novo objectivo é baixar de 1.46. ”Em função da prova que ele fez, é realista pensar-se nesses termos. Mas penso que é ainda cedo para um ataque ao recorde nacional (1.45,12). Recordo que o Álvaro Silva tinha 46,6 aos 400 metros. Com a sua actual velocidade-base, será difícil ao João Pires baixar de 1.46,50.”

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Os Jogos Olímpicos são um objectivo – ”só por manifesto azar não irá lá” – e, quanto ao recorde, ficará para mais tarde. ”Ele manter-se-á nos 800 metros ainda uns anos, admito que até 2004. Depois, é natural que suba para os 1500 metros, embora seja prematuro dizer-se se fará ou não melhor nesta distância. Ele ainda é muito novo.”

O prof. Vítor Reis salienta a boa coordenação que tem mantido com o prof. Bernardo Manuel e a utilidade para João Pires do grupo de treino que ele encontrou no Sporting. João Pires, que apenas se dedica ao atletismo, reparte os treinos (bidiários) pelo Jamor e por Alvalade.

ARONS DE CARVALHO

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