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Fernando Mamede morreu esta terça-feira aos 74 anos e para memória futura ficará para sempre como aquele que durante muitos anos ostentou o recorde mundial dos 10 mil metros, com o tempo de 27.13,81 minutos, quase menos 9 segundos que o anterior recorde mundial, do queniano Henry Rono (27:22.05, desde 11 junho de 1978).
No dia 2 de julho de 2024, para assinalar os 40 anos desse momento, o antigo atleta falou a Record numa das suas últimas declarações públicas.
"Essa marca teve um significado e um impacto enorme, foi um dia extraordinário", considerou Fernando Mamede, que nessa corrida, em Estocolmo, teve as condições perfeitas para estabelecer a marca, tudo arquitetado pelo já falecido Moniz Pereira.
Nessa corrida emblemática, Guilherme Alves foi a primeira lebre de serviço, dando um bom andamento, para mais tarde Carlos Lopes assumir as despesas para partir os adversários.
Mamede chegou a descolar, ficando para trás, mas recuperou ao nono quilómetro e desferiu o ataque letal a duas voltas do fim, com Lopes a ser segundo, batendo também ele o máximo de Rono, com 27:17.48.
"Era uma geração fantástica. Eu, o Carlos Lopes, a Rosa Mota... Já não existe fornalha como no meu tempo. Os talentos não aparecem e já não se treina a sério como se devia. Para se ser recordista mundial, tem de se trabalhar no duro", sustenta Fernando Mamede.
Para Mamede o fundo e meio-fundo de Portugal estão comprometidos: "Podem haver surpresas, mas são os africanos a dominarem, exceção feita aos irmãos noruegueses Ingebrigtsen, Henrik, Filip e Jakob. Mesmo assim, continuo atento e ligado aos resultados do atletismo."
Qual o futuro do atletismo em Portugal? Fernando Mamede vê um cenário positivo: "O fundo e meio-fundo está mais fraco, mas as equipas nacionais estão muito mais fortes, com resultados em outras disciplinas mais técnicas. Tem havido uma grande evolução."
E como foi a rivalidade com Carlos Lopes em Estocolmo? Mamede diz que houve fair play: "Cada um fez a sua corrida, a contar para os seus tempos, Lopes tinha a missão de me estoirar antes, o que esteve quase para acontecer, só que não dei parte de fraco, era na realidade o mais rápido do mundo."
Por Alexandre ReisPortuguesas em destaque no Chipre
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