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LUÍS Novo foi a grande revelação lusa no Campeonato do Mundo de Sevilha, há dois anos, ao classificar-se em quarto lugar na maratona, ele que era até então um ilustre desconhecido no panorama internacional e que apenas pretendia chegar entre os... 20 primeiros classificados.
Dois anos depois, a quatro meses de novo Mundial (em Edmonton, no Canadá), pouco ou nada se tem ouvido falar nele.
Na época passada, não foi muito feliz: foi 13º em Roterdão (Holanda), com 2.11.29, aquém do seu objectivo (melhorar o seu tempo-recorde de 2.10.32, em 1998, em Reims, na França), e, depois, foi apenas 50º nos Jogos Olímpicos de Sydney.
Este ano, o objectivo prioritário é conseguir o apuramento, para novamente participar no Campeonato do Mundo. No entanto, para assegurar a presença na competição canadiana precisa de confirmar o mínimo (2h 12m).
“Estava prevista a minha participação na Maratona de Turim, no passado dia 1, mas fui obrigado a adiá-la, pois fiz uma contractura numa das coxas a seguir ao Distrital de Corta-Mato e há quatro semanas voltei a ter uma outra na mesma perna. Como as maratonas de Londres e Roterdão eram muito próximas, já no dia 22, apontei para a de Viena, que fecha o ciclo das maratonas da Primavera, a 20 de Maio.”
Depois de uma pequena quebra devido à paragem (”mesmo assim recuperei bem, pois só parei uma semana”), Luís Novo considera-se num bom momento de forma.
“Ainda não estou a cem por cento, mas sinto-me bem e confiante. Em Viena, espero confirmar o mínimo para o Mundial. Claro que ficaria contente com isso, mas o grande objectivo para essa prova será melhorar o meu recorde pessoal e baixar das 2h 10m. E, claro, tentarei também lutar pela vitória na corrida. Faz-me falta uma vitória numa maratona. Nunca a consegui. Embora tenha a noção de que será muito difícil, já que há sempre vários atletas africanos presentes, vou tentar andar lá na frente e ver o que conseguirei fazer...”
Equipa em Edmonton
Quanto ao Campeonato do Mundo, Luís Novo gostaria de ser acompanhado por vários outros atletas, de forma a que Portugal concorresse à Taça da Europa de Maratona, que se realiza em conjunto.
“Não gostaria que acontecesse como mo Mundial de Sevilha, onde só corri eu e o António Salvador. Mas é capaz de não ser fácil arranjar atletas suficientes para pontuarmos enquanto equipa. O António Pinto parece não estar interessado em correr a maratona nessa altura e o António Salvador desistiu há dias em Turim, devido a uma gripe que apanhou dois dias antes. Vamos a ver o que fará o João Lopes e se aparece mais alguém.”
Quanto à sua prova: “Claro que gostaria de confirmar o quarto lugar de Sevilha, há dois anos, mas sei que será muito difícil. Até porque gosto de correr com calor e sei que em Edmonton, muito provavelmente, não deverá estar tanto como esteve em Espanha...”
Dispensado da escola
Este ano lectivo, Luís Novo, professor de Educação Física, foi colocado em Vilar Formoso, a 250 quilómetros da Maia, onde reside e treina, o que dificultava – como facilmente se percebe – a sua preparação. Mas, ao abrigo do estatuto de atleta de alta competição, acabou por ter dispensa total, pelo que pode continuar a treinar normalmente. Agora, vai esperar pelo resultado de novo concurso, tendo em vista o próximo ano lectivo.
“Eu gostaria de dar aulas, eventualmente com um horário reduzido. No entanto, isso, para já, não será fácil, pois só devo conseguir passar a efectivo dentro de dois ou três anos e até lá não é complicado arranjar uma escola perto da Maia, de forma a poder preparar-me em simultâneo.”
Terbel e Federação
Entretanto, em termos financeiros, as coisas não têm estado a correr muito bem, embora Luís Novo desdramatize a situação, demonstrando que confia nos responsáveis pelo seu clube que, segundo o atleta, mais tarde ou mais cedo acabarão por honrar os seus compromissos.
“É verdade que há alguns atrasos nos subsídios da Terbel. Parece que as coisas não estão a correr muito bem no que se refere às verbas oriundas dos patrocinadores. Mas não estou muito preocupado com isso, sei que, mais tarde ou mais cedo, as coisas serão regularizadas e que a Terbel vai dar a volta por cima, regularizando tudo Mais preocupado estou com a Federação, que tem atrasada a definição dos escalões de alta competição para esta época, não sabendo os atletas em que patamar irão estar incluídos...”