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José Violante: «Quero deixar a minha marca na NBA»

NASCIDO em Real, Penalva do Castelo, José Violante cedo contactou com a cultura desportiva norte-americana, acompanhando, ainda adolescente, os pais na emigração para os EUA. Adepto e praticante de vários desportos, do futebol e basquetebol à luta-greco romana (passando ao lado de uma carreira profissional no futebol americano, ver caixa) este benfiquista de 48 anos, completados a 12 de Fevereiro, que mantém intactas as raízes da nacionalidade, juntou, há ano e meio, a carreira profissional na área da gestão com o gosto pelo desporto de alta competição: é o vice-presidente e director de gestão da NBA para a Europa, e foi sua a iniciativa pioneira de desenvolver e vender directamente às lojas a novíssima linha de vestuário desportivo com marca exclusiva da famosa Liga profissional norte-americana de basquetebol.

"Quero que um dia digam, depois de terminar a minha carreira aqui: o Violante deixou uma 'pegada'", disse José Violante a Record, traduzindo o termo castelhano "huella", que aprendeu em Espanha, um dos países onde trabalhou numa carreira de "globettroter" de sucesso.

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Antes de ocupar o cargo na NBA, a 1 de Julho de 1998, José Violante, licenciado em gestão na Brown University (1976) com a pós-graduação ("Masters") completada em 1980 na American School of International Managemente-Thunderbird, em Phoenix, Arizona, trabalhou sucessivamente nos EUA, Venezuela, México, Turquia, Espanha, Portugal, e Suécia, em grandes empresas do ramo dos produtos embalados de grande consumo. Casado com Mary, uma norte-americana, tem um filho, Erik, mas nunca perdeu os laços com Portugal. E isto quer através da Internet, um recurso que alivia agora as saudades que os emigrantes sentiam no seu tempo ("Consulto todos os dias a NBA.com as outras páginas de basquetebol e a do Record, onde me mantenho actualizado com o desporto português") , quer nas viagens que faz, praticamente todos os anos, a Portugal, para rever família (os pais já regressaram dos "states") e amigos: "Quando tem raízes, um emigrante nunca as esquece", diz em português sem sotaque o poliglota, que tem o turco um pouco enferrujado, mas domina ainda o sueco, o espanhol, o francês e, claro, o inglês.

McDONALD'S CHAMPIONSCHIP EM PORTUGAL?

Ao falarmos em português com José Violante na hipermoderna sede da NBA Europa, bem no centro de Paris (40, Rue de La Boétie), marcou-nos a sua personalidade hospitaleira e cordial. E assim que o vimos falar em inglês com os elementos do "staff", percebemos a autoridade e importância que detém na estrutura na Liga profissional de basquetebol mais conhecida no Mundo.

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A diplomacia é outra das qualidades do "boss" da NBA Europa. Bem tentámos no sentido de apurar quais as possibilidades das candidaturas portuguesas (Porto e Lisboa) ao Open McDonald's de 2000, mas a resposta foi de estadista: "O McDonalds Championship é um evento muito importante, que não depende só da NBA, pois é organizada em conjunto com a FIBA e a McDonald's, principal patrocinador. Tem de haver o acordo das três entidades em relação aos objectivos de cada uma."

Quando aludimos, nesse contexto, à hipotética falta de lugares no portuense Pavilhão Rosa Mota ou à vantagem de o lisboeta Pavilhão Atlântico receber no fim do ano o consagrado "Masters" de ténis, a resposta continuou a ser institucional: "Procuramos alternar o local da prova, cumprindo a meta comum de divulgar e desenvolver o basquetebol, e temos, neste momento, inúmeras propostas de toda a Europa, que serão avaliadas com base em vários critérios: o número de espectadores e as condições ou as condições do pavilhão são apenas alguns", comentou José Violante. Ou seja, nada de favoritismos nem de pressas: as eventuais candidaturas portuguesas serão ponderadas como todas as outras.

Também o mercado português é tratado de igual forma pela NBA Europe -"É importante para nós, e tem crescido como os outros" -, mas José Violante não esconde o orgulho nas boas carreiras de Ticha Penicheiro (Sacramento Monarchs) e Mery Andrade (Cleveland Rockers) na WNBA: "É muito importante para um país pequeno como o nosso ter exemplos de sucesso como estes numa Liga que tem dimensão mundial, não só para o desenvolvimento da modalidade em Portugal mas também para que o valor dos atletas lusos seja mais reconhecido internacionalmente."

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ROUPA MARCA NBA

O Open McDonald's é apenas um aspecto da estratégia global de "crescimento e desenvolvimento dos negócios da NBA na Europa", que o "vice-president and managing director" José Violante "supervisiona", como consta na sua "job description". Só que este produto, salienta, é um tanto diferente daqueles com que trabalhou anteriormente: "Na NBA vendemos os nossos jogadores e equipas. Ou seja, um produto humano altamente imprevisível. Por isso, temos muito cuidado com a imagem, e em dizer sempre a verdade, porporcionando cem por cento de acessibilidade aos jogadores", explica.

Um negócio que tem muitas vertentes, da NBA Store da Quinta Avenida, em Nova Iorque, à NBA City que foi inaugurada em Setembro em Orlando, Florida, em associação com a cadeia de restaurantes Hard Rock Café - "E que tentaremos expandir a nível mundial", adianta José Violante -, mas tem grandes possibilidades de ir mais além.

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Uma delas foi explorada de modo pioneiro por José Violante, que, em seis meses, contados desde que propôs a ideia à NBA, concebeu e fabricou uma linha de vestuário exclusiva da NBA, como a que já está à venda na NBA Store da 5ª Avenida, mas com adaptações ao estilo europeu e com a inovação da venda directa às lojas através de uma rede de distribuidores própria: "Deste modo temos mais controlo sobre os modelos e os vendedores, e estamos mais perto do consumidor", avança José Violante, que contratou vendedores e sondou o mercado europeu para depois propor alterações à já por si inovadora linha de vestuário da NBA: "Há muitos consumidores que não querem ser assimilados a determinado clube, mas gostam da NBA. Para eles criámos uma linha exclusiva da própria NBA, que pode também conter elementos personalizados de cada clube, e que foi ampliada e adaptada pela minha equipa, ao gosto europeu."

A chegada a Portugal da nova roupa da NBA (a que Record teve acesso em primeira mão a nível mundial) está prevista para esta Primavera, segundo o dirigente europeu da Liga: "Tudo depende das conversações que estamos a entabular com dois ou três clientes, mas cremos que em Março poderei ir, com um vendedor, apresentar a colecção a Portugal." Nessa altura, aliás, deve ser conhecida a decisão sobre o local do Open McDonalds'2000 O novo vestuário e outros produtos (claro que continuam disponíveis os já existentes de cada "franchise") constarão, em breve, numa página da Internet que melhorará as condições já existentes na NBA.com para compras electrónicas.

Quanto à possível expansão à Europa da NBA.comTV, que já emite 24 horas por dia a partir da cidade norte-americana de New Jersey, o mais alto responsável da NBA Europe encara-a num futuro mais distante: "Aguardaremos as evoluções da banda larga para ver se algumas TV europeias estão interessadas nessa programação."

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Entretanto, como o futuro cada vez chega mais depressa, nos dias que correm, José Violante faz questão de deixar a sua "huela" no fantástico universo da NBA... mas sempre sem esquecer as raízes herdadas dos descobridores lusos, que deram novos mundos ao Mundo.

"TREINAVA AO CRONÓMETRO OS PONTAPÉS AOS POSTE"

José Violante passou ao lado de uma carreira profissional no futebol americano. Depois de brilhar nos amadores da universitária Ivy League (bateu em três temporadas seguidas a marca do rival Nick Lowery, que depois foi um dos melhores chutadores na história da NFL ao serviço dos New York Jets e dos Kansas City Chiefs), tentou a sorte nos estágios de pré-temporada dos Atlanta Falcons e dos Buffallo Bills (onde, em 1976/77, estava em fim da carreira um dos melhores "running backs" de sempre da Liga profissional de futebol americano, um tal O. J. Simpson...); mas uma lesão acabou-lhe com o sonho.

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Tudo começou por alturas de 1967, quando o jovem português de 15 anos começou a jogar num clube de futebol português, em Milford, Massachussets.

Como o futebol (o nosso, "soccer" nos "States") não era praticado nas aulas de Educação Física do liceu, um dia José Violante deu por si a chutar uma bola oval de futebol americano para os postes, sem nunca ter visto sequer um jogo da modalidade. O treinador do liceu avaliou-lhe as potencialidades e convidou-o para o lugar de "place-kicker", o conversor de penalidades e "touchdowns".

"Fazia todos os dias 45 minutos de preparação física e 15 minutos de pontapés aos postes. Treinava ao cronómetro: tinha 1,3 segundos para chutar, o tempo de a defesa adversária, que está a sete jardas de distância, chegar ao pé de mim para interceptar a bola. Um pontapé pode ser decisivo. É como um lance livre no último segundo de um jogo de basquetebol: se falhar, não há segunda hipótese", compara José Violante.

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A habilidade no futebol americano ajudou-o na carreira universitária, deu-lhe alguma glória... e recordações engraçadas: "Jogava 'soccer' de manhã e ia a correr para jogar depois na equipa de futebol americano, na equipa da Universidade de Brown. Um dia tínhamos uma partida crucial com Harvard, e não havia forma de chegar de um campo ao outro, porque estavam separados por três quilómetros e o trânsito era intenso. Para não chegar atrasado, levaram-me de helicóptero", lembra.

LUÍS QUARESMA COSTA

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