O treinador português Dinis Amaral foi promovido a técnico principal do O ALM Évreux, da 2.ª divisão francesa. A Record fala deste salto na carreira, bem como os desafios e objetivos que tem pela frente.
RECORD - Quais as sensações de, aos 29 anos, ser promovido a treinador principal em França?
DINIS AMARAL - É uma validação da aposta feita de sair de Portugal. Infelizmente não há muitos treinadores portugueses profissionais, ainda menos num país referência no basquetebol como França. Estou entusiasmado, mas é só mais um passo no processo e na minha carreira.
RECORD - Quais os objetivos para a próxima temporada?
DINIS AMARAL -Sobreviver! Temos o orçamento mais baixo da Elite2, apesar de ser um clube que está há 40 anos na liga profissional francesa (LNB). O projeto passa por encontrar jovens jogadores, franceses e estrangeiros, com potencial para atingir patamares mais elevados. Não ter dinheiro para “comprar experiência” obriga-nos a apostar no nosso projeto de “player development”, vendendo a ideia de que somos um clube trampolim.
RECORD - Individualmente, como projeta os próximos anos da sua carreira?
DINIS AMARAL - Tento focar-me a 100% nos projetos do agora. Só assim se pode fazer um bom trabalho ou, pelo menos, um trabalho à nossa imagem. Estou agora na Seleção Nacional de sub-18, procuramos fazer um bom resultado no Campeonato da Europa deste verão, de seguida regressar a Évreux para “meter mãos à obra”.
RECORD - Sente que a sua idade pode ser um entrave, por exemplo na relação com jogadores mais velhos, ou nunca viu as coisas dessa forma?
DINIS AMARAL - Acredito que há valores que se sobrepõem à idade. Ser trabalhador, profissional e justo com todos é mais importante do que ter um currículo longo. Claro que para um jogador mais experiente existe um momento de estranheza, tens de provar o teu valor mas sem nunca deixares de ser fiel a quem és. A experiência é muito importante, sem dúvida, decisiva em alguns momentos, mas se és profissional na postura, conhecimento e abordagem a idade deixa de ser tão relevante.
RECORD - No Évreux, tem a 'companhia' do Anthony da Silva. É bom ter um compatriota na equipa?
DINIS AMARAL - Foi excelente. Um ciclo de 2 anos juntos que termina agora. Gostava de ter contado com ele neste novo desafio mas não foi possível. A questão da língua e nacionalidade foi algo que nos aproximou no início, mas foram os valores de trabalho e humildade que nos juntaram verdadeiramente.
RECORD - E na Seleção sub-18, é adjunto do pai dele, o Phillipe, que também tem background de treinar em França. Que conselhos o Phillipe lhe tem dado e se costuma falar com regularidade com ele em França?
DINIS AMARAL - O Filipe foi decisivo no inicio da minha carreira internacional. Entrámos em contacto quando saí da Liga Portuguesa e ele estava no Nanterre. Daí nasceu uma relação de amizade que prezo bastante.
Durante estas duas épocas ele assistiu a muitos dos nossos treinos e jogos, com feedback constante sobre o meu e o nosso trabalho. É uma referência para mim, como treinador e pessoa. A nossa relação só será momentaneamente interrompida quando nos defrontarmos esta época!
RECORD - Que objetivos para o Europeu de sub-18 deste verão?
DINIS AMARAL - Em primeiro lugar, que os rapazes cresçam durante os trabalhos de verão e que depois sejam capazes de o reproduzir nos seus clubes. Temos uma geração muito interessante, com uma dimensão física interessante. Trabalhei com eles em sub16 e noto claramente uma evolução positiva em muitos deles, noutros menos.
Não conhecemos a 100% a evolução dos jogadores dos outros países, sobretudo porque é um escalão onde muitos jogadores começam só agora a confirmar o seu potencial. Com os resultados atingidos por esta geração anteriormente e com o bónus de jogarmos o Campeonato da Europa sub18 do próximo ano em casa (Matosinhos), sinto que podemos sonhar por algo. Ser Campeões da Europa seria uma história muito bonita!