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Manuel Fernandes despede-se da Festa do Basquetebol: «Ao fim de 18 anos, mantivemos esta chama tão intensa»

Cerimónia de entrega de troféu com pessoas, uma mascote e público
• Foto: FB Basquetebol

A 18.ª Festa do Basquetebol Juvenil terminou este domingo com um momento que comoveu todos os presentes no Pavilhão Desportivo de Albufeira. Após a entrega de todos os troféus da competição, Manuel Fernandes foi alvo de uma sentida homenagem por parte de todas as associações distritais, pelo seu legado incontornável na história da modalidade em Portugal. O presidente da Federação Portuguesa de Basquetebol está a cumprir as últimas semanas no cargo, depois de 41 anos ligado ao organismo - 29 como diretor técnico nacional e 12 como presidente.

Após receber uma enorme ovação de todos os representantes da associações e do público nas bancadas, Manuel Fernandes, que ficou visivelmente comovido, fez a Record um balanço desta que foi a sua última Festa.

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“Faço um balanço muito positivo porque conseguimos, ao fim de 18 anos, manter esta chama tão intensa para a nossa juventude. Aqui estiveram os rapazes e as raparigas que serão o futuro do basquetebol português, porque são os melhores das suas regiões e muitos deles irão constituir a próxima Seleção Nacional de cadetes [sub-16], que já tem competição este ano. Entre todos os que estiveram aqui todos presentes, será destes grupos que sairão escolhidos", começa por dizer o dirigente de 78 anos, que conhecerá o seu sucessor a 25 de abril, o dia para o qual estão marcadas as eleições para a presidência da FPB.

Além da vertente competitiva, o professor destaca ainda a componente social e de inclusão que este evento incorpora, bem como a estrutura profissional e dedicada que a coloca de pé.

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"A festa tem ainda outro papel mais importante que é a defesa dos valores. Uma modalidade só se pode considerar uma modalidade com impacto se tiver esta ideia clara de que lhe compete defender os valores da cidadania, do respeito mútuo e da igualdade. Isso nós tentamos em todos os momentos e em todas as provas aqui. Com prémios de fair-play, para a melhor claque, para os melhores árbitros e com a iniciativa . Há um mar de coisas positivas que são arrastadas por esta festa e, fundamentalmente, a outra coisa que enche a alma de quem gosta de basquetebol é que isto é uma organização ousada. São 1.500 pessoas aqui durante 15 dias, são 13.000 almoços e jantares, são números gigantescos que têm por trás uma estrutura sólida, bem preparada, bem oleada para que tudo funcione como funcionou aqui", explica.

Quanto a possíveis desenvolvimentos na competição, que este ano albergou 72 equipas e um total de 864 atletas, aponta à expansão para mais um escalão, além dos sub-14 e sub-16: "Era bom que pensássemos no futuro em criarmos as condições para que as novas seleções distritais de Sub-17 pudessem também participar. Não poderia ser neste modelo, que é muito mais difícil de encontrar tempo e calendário para o fazer, mas dividido por 4 ou 6 zonas".

No discurso de encerramento da Festa do Basquetebol, Rui Cristina, presidente da Câmara Municipal de Albufeira apelidou o histórico líder da FPB como o "pai" da festa. Quanto a este título, Manuel Fernandes mostrou-se "lisonjeado", mas lembrou que nada teria sido possível sozinho: "Por um lado sinto-me lisonjeado, mas ninguém faz nada sozinho. Há uma equipa. Aquilo que se pode dizer é que consegui mobilizar, liderar estas pessoas para acreditarem que era possível, que era possível pensarmos alto, arriscarmos e de que não podíamos ter medo. Se falhássemos, íamos ver onde é que falhámos e depois voltávamos a melhorar. Por acaso, tivemos sucesso logo na primeira e foi no que mais nos determinou. Portanto, quero partilhar estas palavras com todos, e foram muitos, a quem eu devo o sucesso que tivemos”.

Questionado se abandona o cargo com um sentimento de dever e objetivos cumpridos, Manuel Fernandes reflete sobre quais considera que foram os maiores triunfos. 

"Acho que ninguém com bom senso pode dizer que atingiu todos os objetivos, porque nós somos sempre ambiciosos e gostamos sempre de atingir mais. Quando atingimos os objetivos, já estamos aquém, porque temos de criar novos objetivos para um patamar superior. Portanto, posso dizer que estou satisfeito com aquilo que eram as grandes opções estratégicas, nomeadamente o aumento de massa crítica, com mais jogadores, treinadores, equipas, árbitros, patrocinadores e mais gente a encher os pavilhões. Depois tínhamos uma outra vertente estratégica na melhoria da qualidade do jogo. Aí provámos que estamos a evoluir principalmente em 2025 e em 2026. São anos históricos e de ouro, em que alcançámos o que nunca tínhamos alcançado. Então no feminino, tivemos dois grandes sucessos nunca antes atingidos na história do basquete português. Estivemos num Europeu e não foi só para passear. Ganhámos a Montenegro e disputámos o jogo com a Bélgica. Além disso, as nossas sub-19 foram ao Campeonato do Mundo e atingiram um meritório 7.º lugar", enaltece, sem deixar de destacar algumas figuras nacionais que têm elevado o nome de Portugal no estrangeiro nos últimos anos.

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"Temos uma embaixadora da Hall of Fame da WNBA, a Ticha Penicheiro, o Rúben Prey, que está em St. John's e é alguém a quem antevemos um grande futuro; a Clara Silva, que esperamos que possa chegar à WNBA; e, claro, temos um campeão da NBA", afirma, referindo-se a Neemias Queta, desfazendo-se em elogios ao poste dos Boston Celtics: "É uma figura marcante pelas suas qualidades físicas e atléticas, mas também pelas suas qualidades humanas, que toda a gente reconhece. É um exemplo tão inspirador de que é preciso acreditar nos sonhos. Quando jogou o Mini Basquete, não tinha lugar nem no cinco inicial nem entrou nas primeiras seleções, porque era muito alto e desajeitado. Mas ele tinha lá aquela ideia de que era capaz e levou essa ideia a peito, com determinação e humildade."

Por André Teixeira
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