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A NBA começa a ganhar uma nova cara. Na sequência da saída de Michael Jordan e consequente término da era dos Chicago Bulls, a Liga norte-americana de basquetebol passou a ser dominada por LA Lakers e San Antonio Spurs, com cinco e quatro títulos cada desde 1999. Agora, o bicampeonato alcançado pelos Miami Heat abre definitivamente a porta para outros voos.
A chegada de LeBron James à Flórida, em 2010, foi feita precisamente com esse propósito. Ao juntar Dwyane Wade e Chris Bosh, Pat Riley pretendeu criar uma equipa que dominasse a competição nos anos vindouros, o que tem vindo efetivamente a verificar-se. Oriunda de um mercado médio, a “franchise” conquistou o seu primeiro título em 2006, através do contributo de um jovem “Flash” Wade e do veterano Shaquille O’Neal. Estava dado o primeiro passo.
Época de sonho
A verdade é que a temporada de Miami só podia desaguar desta forma. Com 66 vitórias e apenas 16 derrotas na fase regular (o 14.º melhor registo de sempre), a formação de Erik Spoelstra dominou de forma incontestável a primeira fase da época, condimentada com um feito quase sem precedentes: 27 triunfos consecutivos, a segunda melhor marca da história, apenas atrás das 33 obtidas pelos LA Lakers em 1971/72.
No playoff, e depois de uma série “para aquecer” frente aos Milwaukee Bucks e outra mais dura com Chicago, os Heat foram puxados até ao limite na final da conferência Este. Os Indiana Pacers forçaram o sétimo jogo e obrigaram os campeões a puxar dos galões. Situação que se repetiu na final, com os Spurs quase sempre na frente e mesmo a “cheirar” o título no jogo 6, que ficará na história. A recuperação de Miami, que perdia por 5 a 28 segundos do fim, foi o ponto decisivo da série do campeonato e deu o impulso que a equipa precisava para fechar na “negra”. Com isso, tornou-se apenas a terceira equipa da história a conquistar o titulo sem nunca ter liderado a final (exceto, obviamente, no término da mesma), depois dos Celtics de 1969 e dos Bucks de 1978. E, assim, confirmou-se a tendência de a equipa da casa triunfar em jogos 7 das finais: 15 vezes em 18 ocasiões.
Para além do óbvio contributo de LBJ, Miami voltou a contar com Wade em boa forma física nestas finais, o que se revelou simplesmente decisivo. Mesmo com Chris Bosh “desaparecido” em muitas ocasiões, a equipa soube contornar a situação através das ações dos suplentes, que alternaram o protagonismo: Shane Battier (18 pontos, 6 em 8 de três no jogo 7), Ray Allen (triplo que forçou o prolongamento no jogo 6) e Chris Andersen (muito bem na defesa a Duncan).