_

Ciclista denuncia controlo antidoping horas após perder a mãe: «Dilacerante, desumano e uma tremenda falta de respeito»

Ciclista denuncia controlo antidoping após perder a mãe
• Foto: Getty Images

A ciclista austríaca Valentina Cavallar recorreu este fim de semana às redes sociais para lançar um apelo em jeito de forte crítica às autoridades antidopagem internacionais, depois de ter sido submetida a um teste antidoping em sua casa, horas depois da morte da sua mãe, num momento em que o corpo desta estava a ser velado no quarto ao lado. A nota, bastante emotiva, serviu inicialmente para justificar a ausência desde que abandonou no Tour (à 9.ª etapa), mas leva a uma reflexão bem mais profunda.

"A perda da minha mãe, em setembro, mudou para sempre a minha perspetiva sobre a vida. Podemos passar anos a fio obcecados com metas, a puxar pelos limites, a avaliar o sucesso apenas por resultados, vitórias e medalhas. Mas quando perdemos alguém que amamos, percebemos o quão efémero e secundário tudo isso é no fim das contas. A vida não se mede pelo que conquistas, pelo sucesso que alcanças ou pela fama. Mede-se pelas pessoas que amas, pelos instantes que partilhas e pelas memórias que constróis. Sempre soube o peso que a minha família tinha para mim, mas creio que nunca o tinha compreendido na íntegra até ser confrontada com a ausência da minha mãe. E o que tornou tudo ainda mais devastador foi ter sido obrigada a fazer um controlo antidoping em casa escassas horas após a sua morte, no quarto ao lado de onde repousava o corpo dela", começa por escrever a ciclista de 25 anos.

PUB

"Reconheço a importância da luta contra o doping e sempre honrei os deveres inerentes a um desportista de elite. Mas, naquele instante, o ciclismo, a competição e o profissionalismo eram a última coisa na minha cabeça. Eu era apenas uma filha em choque pelo luto da própria mãe. Passar por um controlo antidoping num cenário daqueles foi dilacerante, desumano e uma tremenda falta de respeito para com a minha família. Fez-me pensar na facilidade com que se ignora que, por trás de qualquer atleta, está um ser humano com uma vida, laços familiares e dores que não se apagam por decreto só porque as regras do desporto profissional o exigem. Defendo um desporto limpo com toda a convicção. Mas defendo também que a humanidade, o bom senso e o respeito nunca podem ser postos em causa."

Cavallar, refira-se, alcançou esta temporada o melhor resultado da sua carreira, ao terminar o Giro de Itália feminino na 9.ª posição.

PUB

Deixe o seu comentário
PUB
PUB
PUB
PUB
Ultimas de Ciclismo Notícias
Notícias Mais Vistas
PUB