QUINTINO Rodrigues, do Benfica, venceu quinta-feira a 69ª Clássica Porto-Lisboa, a prova mais antiga do calendário nacional e mais longa no que respeita ao panorama internacional. Um triunfo alcançado no Dia de Portugal e que foi festejado de forma exuberante, com alguns recados pelo meio.
”Esta vitória mostra que não tenho necessidade de andar agarrado ao carro”, referiu o corredor do Benfica, recordando a expulsão de que foi alvo no Grande Prémio Abimota, devido ao facto, segundo alegou um dos comissários, de ter sido rebocado pelo respectivo carro de apoio. ”Foi uma grande injustiça o que me fizeram”, acrescentou.
Quintino afirmou ainda que a vitória de ontem contribuirá, certamente, para que o ”Benfica continue por muitos anos no ciclismo”, sublinhando, por outro lado, que há lugar, na equipa, para todos terem a sua hora e coroa de glória. ”Não é só o Melchor Mauri que pode vencer. Mas somos, acima de tudo, uma equipa unida e humilde”, disse.
O triunfo do ciclista encarnado começou a ser desenhado a 32 quilómetros da meta, quando resolveu atacar. Perante a passividade do restante pelotão, Quintino foi-se afastando, cortando a meta, na Avª da Liberdade, com 13 segundos de vantagem dos ”sprinters” Manuel Liberato (Porta da Ravessa) e do lituano Saulius Sarkauskas (LA/Pecol).
”Concordo que tenha havido alguma indecisão da nossa parte quando o Quintino atacou. Mas acontece que eu não oferecia garantias à equipa de poder vencer se chegássemos juntos, porque ainda não me encontro totalmente recuperado das quedas que sofri em Espanha e no GP Abimota”, explicou Liberato.
De resto, o vencedor do 69º Porto-Lisboa – tratou-se da 10ª vitória do Benfica, tendo a primeira acontecido em 1932, através de José Maria Nicolau – não conseguiu bater o recorde da prova, que pertence, desde o ano passado, ao búlgaro Atanas Petrov (Gresco/Tavira), com o tempo de 8.00,33 horas (média de 42,202 km/h). Quintino cumpriu os 338 quilómetros em 8.31,14 horas.
PAD QUER REABILITAR CORRIDA
Justino Curto, director da PAD (empresa que passará a organizar o Porto-Lisboa, já a partir do próximo ano), pretende reabilitar a corrida. ”Compreendo que a Federação queira manter o actual figurino, pois trata-se da prova mais antiga do calendário nacional. Mas precisa de uma nova alma”. Uma das soluções para animar o Porto-Lisboa, ainda de acordo com o responsável da PAD, passa por convidar equipas estrangeiras, o que implicará, certamente, o aumento dos prémios (este ano, a organização, Sport Notícias, destinou cem mil escudos para o primeiro).
PAULA MARQUES