FP Ciclismo sobre a distribuição das verbas das apostas: «Ausência de mecanismos que garantam um mínimo de equidade entre modalidades»

Ciclistas portugueses competem em prova de ciclismo de pista
• Foto: Lusa

A Federação Portuguesa de Ciclismo foi contemplada, em 2025, com um valor a rondar os 11.800 euros das apostas desportivas, verba que na opinião do seu presidente fica aquém das expectativas.

Em nota enviada ao nosso jornal, Cândido Barbosa diz que as verbas esta quarta-feira "vem apenas confirmar uma realidade que a Federação Portuguesa de Ciclismo e muitas outras federações têm vindo a assinalar há vários anos: o atual modelo de distribuição das receitas das apostas desportivas é profundamente desequilibrado e não reflete de forma justa a realidade do desporto nacional".

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Eis o restante comunicado assinado pelo líder da FPC:

"Mais do que o facto de o futebol concentrar cerca de 80% das receitas, a questão central não está na dimensão dessa fatia, mas sim na ausência de mecanismos de redistribuição que garantam um mínimo de equidade entre modalidades.

O ciclismo, com mais de 18 mil federados e resultados internacionais relevantes — incluindo duas medalhas olímpicas recentes — continua a receber um valor residual destas receitas, que, mesmo com algumas variações ao longo dos últimos anos, permanece manifestamente desajustado face ao impacto da modalidade no panorama desportivo nacional.

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Quando analisamos o sistema como um todo, verificamos que a grande maioria das federações partilha uma parcela muito reduzida destas verbas, enquanto um número muito limitado concentra praticamente a totalidade dos recursos. Este modelo não é sustentável nem compatível com uma estratégia de desenvolvimento equilibrado do desporto.

Acreditamos que é possível — e necessário — evoluir para um modelo mais justo, que não dependa exclusivamente da origem das apostas, mas que integre fatores como o número de praticantes, os resultados desportivos internacionais, o papel das modalidades na formação de jovens e a necessidade de assegurar condições mínimas de funcionamento às federações.

Não se trata de retirar a quem mais gera, mas de introduzir um princípio de solidariedade que permita reforçar o conjunto do sistema desportivo.

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O modelo atual está em vigor há cerca de uma década e as suas limitações são hoje evidentes. Este é o momento certo para promover um diálogo sério entre federações, Governo e entidades reguladoras, no sentido de construir uma solução mais equilibrada e sustentável.

O desporto português não pode continuar a crescer de forma desigual. Se queremos continuar a afirmar-nos internacionalmente, temos de garantir que todas as modalidades dispõem de condições para se desenvolver.

A Federação Portuguesa de Ciclismo está, como sempre esteve, disponível para contribuir ativamente para esse processo".

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Por Ana Paula Marques
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