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José Azevedo: «Nunca vi coisa igual no ciclismo»

Passavam alguns minutos das 23 horas, ontem, quando José Azevedo e a esposa, Sónia, abraçaram emocionados e de lágrimas nos olhos a pequena Mariana, de apenas 11 meses. Para o ciclista vila-condense foram mais de três semanas sem ver a filha, por isso os seus primeiros beijos e carinhos, quando chegou ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, foram naturalmente para ela. Depois, seguiram-se os cumprimentos, também cheios de emoção, aos pais, Gabriel e La Salette.

A filha e os pais eram algumas das muitas pessoas que fizeram questão de se deslocar ao aeroporto para receber e homenagear José Azevedo, que na mão trazia o leão, símbolo de quem sobe ao pódio no Tour. O corredor luso, recorde-se, fê-lo, domingo, em Paris, juntamente com os colegas da ONCE, pela vitória colectiva na "Grand Boucle". Para além de familiares, do presidente da Câmara Municipal de Vila do Conde, Mário Almeida, amigos e ex-colegas – Paulo Barroso e Joan Honrach, ciclistas da Maia/Milaneza/MSS –, também a Comunicação Social esteve em peso no Francisco Sá Carneiro, com destaque para três canais de televisão nacionais – a RTP1 chegou mesmo a fazer um directo da chegada –, assim como a NTV, da TV Cabo. Tudo isto deixou, naturalmente, sensibilizado José Azevedo.

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"Sinceramente, não esperava esta recepção. Estou habituado a ver isto em outras modalidades, mas não no ciclismo. Nunca vi igual no ciclismo", disse, visivelmente emocionado, o sexto classificado no Tour, para quem o seu mediatismo vai certamente ajudar o ciclismo no nosso país. "Estou satisfeito com tudo isto, não por mim, mas pelo que pode significar para o ciclismo português. Espero que seja o início de uma boa propaganda da modalidade e que outros ciclistas portugueses tenham a oportunidade que eu tive."

IDA AO DENTISTA. Hoje, será o primeiro dia de José Azevedo em casa, em Vila do Conde, depois de quase um mês em França. "Amanhã [hoje] vou treinar para recuperar do Tour, e começar a preparar a Vuelta, pois ainda não estou de férias. Vou também brincar um pouco com a Mariana", confessou Azevedo. Mas outros compromissos tem o ciclista luso para cumprir hoje. Segundo adiantou a esposa, Azevedo tem consulta marcada para o dentista, de modo a começar o tratamento de reposição do dente da frente, que, recorde-se, "desapareceu" na quinta etapa, quando uma pedra lhe entrou para a boca.

DIA EM PARIS. O ciclista e a esposa chegaram apenas às 23 horas a Portugal, porque decidiram passar o dia em Paris, cidade onde José viveu o dia – até à data – mais importante da carreira. "Foi espectacular. Passámos um dia fenomenal, andámos de barco, econhecemos um pouco Paris", disse Sónia, também ela visivelmente emocionada com a recepção que aguardava o casal à chegada. "Sinceramente, não esperava nada disto", disse.

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«Para mim serei sempre o sexto»

José Azevedo teve conhecimento do que se está a passar com o lituano Raimondas Rumsas – terminou o Tour em terceiro, mas a sua mulher foi apanhada com um arsenal de produtos dopantes no carro – no aeroporto Francisco Sá Carneiro, e somente quando os jornalistas o confrontaram com a situação. Por isso, foi com alguma surpresa que reagiu ao caso. "Não sabia de nada e lamento tudo isso, pois o Rumsas é um grande corredor."

De resto, o ciclista português recusou-se a merecer a quinta posição, caso o ciclista lituano venha a ser desclassificado no Tour. "Terminei a Volta à França na sexta posição e para mim é essa a classificação que vale. Quando me perguntarem em que lugar acabei, direi sempre que foi no sexto", disse, humildemente.

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Vila do Conde prepara homenagem

A proeza de Azevedo no Tour parece ter passado um pouco ao lado dos dirigentes desportivos nacionais, pois, segundo disse, até ontem à noite ainda não tinha recebido felicitações de qualquer responsável governamental. Mas, no aeroporto, lá estava Mário de Almeida, presidente da Câmara Municipal de Vila do Conde.

"O Zé é um exemplo, pela sua carreira desportiva, e como homem, para todos os atletas. Acompanho a sua carreira desde muito novo e o que ele fez no Tour é muito honroso", frisou o autarca. Questionado pelos jornalistas se estaria em curso uma possível homenagem a José Azevedo, à semelhança, aliás, do que a autarquia de Torres Vedras fez em 1969, com Joaquim Agostinho, Mário de Almeida não foi esclarecedor. "Sim é nosso intenção premiá-lo com algo justo, vamos ver."

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Abraço especial dos ex-colegas

Paulo Barroso e Joan Honrach (da equipa Maia) também estiveram no aeroporto. Nem o facto de se encontrarem em estágio para a Volta a Portugal os impediu de abraçarem o ex-colega. "Um símbolo do ciclismo português", foi assim que Barroso descreveu o velho amigo que "etapa a etapa fez por merecer o excelente sexto lugar".

Orgulhoso, o espanhol Honrach afirmou que "o que o Azevedo alcançou foi, sem dúvida, espectacular. Num futuro próximo, chegará a líder, pois demonstrou ter capacidade.Gostava que ele voltasse à Maia", concluiu.

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