Pelo segundo ano consecutivo, a Maia/Milaneza/MSS saiu como grande vencedora da Volta a Portugal. Mas desta feita, e ao contrário da última edição, em que Fabian Jeker se assumiu desde cedo como líder incontestado, os sentimentos do director desportivo da equipa eram algo contraditórios. Afinal, apesar do domínio em toda a linha, Joan Horrach acabava de "perder" a corrida por uma diferença extremamente escassa, ao cabo de vários dias na frente da classificação.
"É bastante difícil digerir a derrota de Horrach. Se tivesse perdido por um minuto era diferente, mas cinco segundos...", admitiu Manuel Zeferino, visivelmente emocionado, enquanto tentava conter as lágrimas. Ainda com a voz embargada, o técnico da formação maiata prosseguiu: "A culpa é minha, porque ao longo da Volta quis dar oportunidades a todos para chegarmos ao contra-relógio mais seguros. Não escondo que estou triste pelo Horrach ter liderado durante nove dias e não ter conseguido ganhar por tão pouco tempo", confessou. "Se estivesse no lugar dele estava a chorar."
OBJECTIVO TOUR. De qualquer das formas, Manuel Zeferino mostrou-se satisfeito com a prestação global da Maia.
"Ganhámos meia Volta na Senhora da Graça e na serra da Estrela estivemos novamente muito bem. Saiu tudo tal qual programámos, porque todos os corredores foram excepcionais", salientou o director desportivo, projectando com ambição o futuro da equipa, que subiu esta época ao Grupo I da UCI.
"O importante agora é fazer uma boa Volta a Espanha e esperar que tanto a Câmara Municipal como os outros patrocinadores continuem a apostar em nós, para em 2004 chegarmos à Volta a França", afirmou Zeferino, evocando a memória do malogrado presidente da autarquia da Maia. "É a Vieira de Carvalho que se deve tudo isto. Nunca nos vamos esquecer dessa figura emblemática..."
Festa na Maia e 25 mil euros
Pouco depois do final do contra-relógio de Sintra, onde houve lugar aos primeiros festejos, a equipa partiu em direcção à Maia, reunindo-se mais tarde num jantar em que marcaram presença todos os corredores e restante "staff" técnico, com as respectivas famílias, bem como representantes da Câmara Municipal e dos patrocinadores.
De resto, e segundo o vice-presidente do clube, Aires Azevedo, o desempenho na Volta será recompensado com cerca de 25 mil euros (cinco mil contos). O montante é atribuído a Claus Moller, que depois deverá dividi-lo com os colegas.
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