Volta a Portugal: Desde 1995 que luso não vence na Senhora da Graça

Volta a Portugal: Desde 1995 que luso não vence na Senhora da Graça
• Foto: Paulo César

Os portugueses ganharam 13 das 23 subidas à Senhora da Graça, na Volta a Portugal, desde 1978. Mas, depois de um período inicial de reinado absoluto (nove sucessos consecutivos), os estrangeiros intrometeram-se na luta, de tal forma que já passaram sete anos sobre o último triunfo luso no ponto mais alto de Mondim de Basto. Numa edição da Volta que tem sido dominada por ciclistas e equipas nacionais (Nuno Ribeiro foi o herói da Torre), nunca o regresso às vitórias pareceu estar tão perto.

Enquanto isso, António Correia continua à espera de sucessor, desde 1995. O ciclista da Janotas & Simões alcançou na Senhora da Graça o resultado mais significativo de uma carreira que, em termos profissionais, prolongou-se apenas por duas temporadas. "Logo à partida de Macedo de Cavaleiros entrei numa fuga, onde também estava o Jorge Henriques (Bom Petisco/Tavira), agora director desportivo da Ovarense e que, na altura, era o mais forte dos escapados - nesse ano tinha vencido o Porto-Lisboa. E como estávamos muito atrasados na classificação geral, a fuga acabou por ser bastante consentida: no final, aguentei-me bem e consegui ganhar", conta este feirense de 30 anos), irmão de Manuel Correia, antigo ciclista e director desportivo do São João de Ver, e primo de Eduardo Correia, também ele ex-corredor e massagista da LA Pecol.

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O último português a triunfar na Senhora da Graça terminou a Volta de 1995 nos 50 primeiros e, apesar de contar com outros bons resultados (5º no GP JN), decidiu abandonar no final da época seguinte, com 24 anos. "Naquela fase, o ciclismo em Portugal passava por uma crise bastante grave, ao nível dos patrocinadores, e quando a Janotas & Simões acabou (1996) também deixei de correr. Não quis arriscar por causa da crise e, por outro lado, havia falta de aposta na juventude. Os directores-desportivos andavam de olhos tapados porque preferiam ir buscar estrangeiros de valor igual ao nosso", recorda.

Os primeiros da Volta

Considerando-se um todo-o-terreno, que passava bem na montanha, António Correia afirma que "pelo que vejo, ainda tinha valor mais do que suficiente" para correr no pelotão nacional.

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E, apesar de garantir que não está arrependido pela opção que tomou, acrescenta: "Sinto que teria capacidade para estar aqui e fazer coisas bonitas. Podia ter progredido muito mais e, actualmente, conseguir um lugar entre os 10 ou, mesmo, cinco primeiros da Volta a Portugal."

António Correia refere que, depois de abandonar o ciclismo, acomodou-se à nova profissão: operador especializado numa fábrica de componentes eléctricos para automóveis, mas "de vez em quando venho matar saudades." Espectador atento da Volta, António Correia tem acompanhado a "guerra" entre Rui Lavarinhas e Nuno Ribeiro. E dá vantagem, embora muito condicionada ao homem da LA. "São muito iguais. Mas se o Nuno ganhar tempo na Senhora da Graça ficará mais bem colocado."

Aposta muito condicionada em Ribeiro

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Falar da Senhora da Graça é, também, inevitavelmente, falar de Quintino Rodrigues, o único corredor português ainda em actividade que ganhou a tradicional subida, cumprem-se agora 10 anos. Arredado da discussão por um bom lugar na geral (é 62º, a 34,27) desde a segunda etapa (Beja), o ciclista da ASC-Vila do Conde promete tentar repetir o feito de 1993. "É uma etapa que tenho sempre em mente e, mais uma vez, será um dia em que tentarei a vitória", assegura o corredor de 32 anos, na expectativa de que possa "chegar uma fuga, como no ano passado, já que é um terreno muito difícil para as equipas que tentam controlar". A propósito da camisola amarela, Quintino diz que está a ser "uma guerra muito bonita e que só favorece a corrida".

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