Michael Matthews: «Só agora é que estou a perceber o que aconteceu»

Michael Matthews reconciliou-se esta terça-feira com o Tour, ao conquistar a 10.ª etapa para entrar na elite dos ciclistas que vencem nas três grandes Voltas, num dia em que Rui Costa foi o primeiro no teto da 103.ª edição.

Após anos de azares na prova francesa, o australiano da Orica-BikeExchange integrou a fuga do dia, aguentou um ataque de Peter Sagan (Tinkoff) e vingou-se do eslovaco na meta em Revel, roubando-lhe o triunfo como este lhe tinha roubado o título mundial, para conseguir o pleno nas grandes voltas.

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"É inacreditável, só agora é que estou a perceber o que aconteceu. Estava prestes a desistir definitivamente desta corrida, depois de ter tido quedas graves nos dois últimos anos. Pensei que o Tour não era para mim, mas hoje o meu sonho tornou-se realidade", disse, emocionado, o jovem de 25 anos, que agora tem triunfos no Tour, na Vuelta (3) e no Giro (2).

Falar da vitória de Matthews, concretizada em 4:22.38 horas, implica mencionar um português. Rui Costa interiorizou o seu novo papel de caça etapas e esta terça-feira, pela segunda tirada consecutiva, voltou a partir à aventura na companhia de alguns dos mais talentosos e corajosos ciclistas do pelotão, numa epopeia que o levou a coroar-se como o primeiro no ponto mais alto (o Port d'Envalira, a 2.408 metros de altura) desta edição da Volta a França e, consequentemente, a ganhar o prémio Henri Desgrange.

Depois de chegar isolado à contagem de montanha de primeira categoria, instalada aos 24 dos 197 quilómetros entre Escaldes-Engordany (Andorra) e Revel (França), o português da Lampre-Merida foi alcançado por aqueles que seriam os seus companheiros de jornada.

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Entre os 15 fugitivos, que superaram a barreira dos sete minutos de vantagem, estavam dois ex-camisolas amarelas da 103.ª edição - Sagan e Greg Van Avermaet (BMC) -, o vencedor da geral de 2013, Vincenzo Nibali (Astana), e vários antigos vencedores de etapa, como Stephen Cummings e Edvald Boasson Hagen (Dimension Data), Tony Gallopin (Lotto Soudal), Samuel Dumoulin (AG2R), Sylvain Chavanel (Direct Énergie), além do promissor espanhol Mikel Landa (Sky).

Os que a longa descida para o vale de Ariège uniu só Peter Sagan separou: o campeão do mundo acelerou a cerca de 23 quilómetros da meta, quando lá atrás o pelotão decidiu deixar de perseguir (as principais equipas uniram-se em bloco na frente e seguiram a ritmo de passeio), e, surpreendentemente, levou na roda os homens mais rápidos, colocando um ponto final nas aspirações de Rui Costa, que foi 11.º a 03.10 minutos do vencedor.

Feito o mais difícil, o ciclista da Tinkoff falhou o mais fácil, porque no reduzido quinteto que discutiu ao sprint a vitória na 10.ª etapa havia outro homem a querer ainda mais levantar os braços (e a ter a ajuda do colega Daryl Impey no lançamento do sprint).

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Há um ano, Michael Matthews sofreu uma queda grave nos primeiros dias e teve de sofrer muito para chegar a Paris. Todo o sofrimento não compensou, porque, menos de dois meses depois, foi segundo no Mundial, atrás do próprio Sagan, que esta terça-feira foi segundo à frente de Boasson Hagen e que vestiu, pela 75.ª vez, a camisola verde da regularidade.

"Talvez tenha cometido vários pequenos erros. Tanto melhor para o Michael, conseguiu a sua primeira vitória", reconheceu, enquanto o pelotão, com Chris Froome (Sky) na dianteira e Nelson Oliveira (Movistar) na 30.ª posição, chegava tranquilamente à meta, a 09.39 minutos.

Assim, a geral continua igual, com o britânico, duas vezes vencedor do Tour, a liderar com 16 segundos de vantagem sobre o compatriota Adam Yates (Orica-BikeExchange) e 19 sobre o irlandês Daniel Martin (Etixx-QuickStep).

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Rui Costa subiu ao 41.º lugar e está a 35.58 minutos de Froome. Já Nelson Oliveira vai partir para a 11.ª etapa, uma ligação de 162,5 quilómetros entre Carcassonne e Montpellier, a 01:35.54 horas de Froome.

Por Lusa
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