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Depois das declarações carregadas de emoção pouco depois da vitória em Lekunberri, Rui Costa analisou mais a frio o feito alcançado este domingo na 15.ª etapa da Vuelta. Uma vitória difícil, como o próprio assume, que nasceu num dia no qual até acordou com uma sensação menos positiva. Tudo mudaria ao longo do dia, conforme explicou numa longa declarações à imprensa portuguesa.
"Foram dias muito duros, muita montanha. A dureza fez-se sentir. Hoje saí algo pensativo, não muito motivado, porque os últimos dois dias não me tinham corrido da melhor maneira. A etapa tinha sido uma das que tinha apontado para fazer um bom resultado. É certo que não era fácil entrar na fuga certa, porque houve muitas tentativas. Não foi fácil, mas o facto de acreditar sempre que as coisas podiam correr bem ajudou. E nos primeiros quilómetros as sensações até me surpreenderam. Passou muito tempo para conseguir fazer-se a fuga, demorou uns 70 quilómetros. Foi preciso que chegasse a montanha do dia. Até aí tinha-me desgastado, porque tinha muita vontade de entrar na fuga. Muitas das vezes só se vê o resultado final e não se sabe o que um atleta passa para conseguir entrar na fuga", começou por explicar o ciclista da Intermarché–Circus–Wanty.
"A fuga deu-se nessa montanha e, quando se deu, estavam corredores possantes, que já tinham ganho, como o Remco [Evenepoel] e o [Lennard] Kamna. Sabia que ia ser um dia difícil para conseguir a vitória, mas o importante era estar na fuga e conseguir um bom resultado. Daí a ganhar nunca me passou pela cabeça, porque já na primeira passagem no circuito reparei que o Buitrago mostrou estar muito forte. Tinha reparado que era o corredor a ter mais em conta. Não sei se teria pernas para segui-lo. Nos últimos quilómetros, atacou um ciclista da Bora, eu não hesitei e segui, porque senti que provavelmente seria a chave do dia. Tinha de ganhar tempo na subida, pois sabia que quando arrancassem atrás iria haver estragos. Foi por aí", continuou.
"Não foi fácil seguir o Buitrago, tentou tudo para que eu ficasse na subida, pois sabia que no sprint para ele é mais incerto se podia ganhar ou não. Foi uma batalha aguentar a roda dele. Quando entra o Kamna não foi fácil, porque ambos queriam chegar isolados à meta, não queriam que eu estivesse para o sprint. Mas a verdade é que nem sempre ganha o que realmente o mais rápido, depende sempre da forma física com que se chega à meta. O desgaste foi importante, todos chegámos justos. Mas depois de tanto sofrimento, de acreditar que podia ser possível a vitória, conseguir foi muito importante para a minha motivação, para a minha equipa, porque era algo que vínhamos procurando desde há muito tempo", finalizou.
Por Record