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Assunto encerrado e vitória final entregue? A julgar pelas palavras dos três primeiros classificados da Vuelta - todos da Jumbo-Visma -, é esse o caso. Esta quinta-feira, na penúltima etapa de montanha, não se viram ataques de Primoz Roglic e Jonas Vingegaard a Sepp Kuss, como tinha sucedido nas anteriores, e ao que parece foi uma conversa após a tirada do Angliru que desbloqueou a situação.
"A equipa esteve muito bom. Comandámos a etapa o dia todo e no final o Jan Tratnik fez um trabalho fantástico. E depois o Jonas colocou um ritmo forte desde o início da semana. Tive medo por um momento, porque ele é muito forte. Mas não foi com tudo, mesmo que não fosse fácil fazê-lo. Mas sim, correu tudo bem. Hoje usámos uma tática mais defensiva. Decidimos na equipa, entre nós os três. Foi esse o caso no Angliru e depois disso falámos outra vez. As táticas mudam sempre. Por vezes corre mal, mas somos humanos. Amanhã vamos andar mais tranquilos, mas temos de manter-nos focados. No sábado o dia será longo e a etapa dura. É certo que não vamos a alta montanha, mas há algo ainda pela frente", explicou o norte-americano Sepp Kuss, que agora comanda com 17 segundos para Vingegaard.
O dinamarquês, que hoje até viu o colega de equipa ganhar alguns segundos na subida final, parece até já entregar o triunfo ao colega. "Acho que todos viram que hoje era apenas uma questão de proteger o Sepp. Ainda há uma etapa dura no sábado. Temos de ter cuidado e continuar a lutar até Madrid", assumiu o dinamarquês. "É bom recompensá-lo. Fez tanto por mim e pelo Primoz. Quero retribuir-lhe, também no sábado", apontou.
Se Vingegaard teve um discurso claramente de quem estava agradado (ou pelo menos conformado) com o desenrolar das coisas, Primoz Roglic... nem por isso. "Como disse várias vezes, ele [Kuss] é o nosso primeiro ciclista", assumiu o esloveno, que ainda assim confessa alguma estranheza por ter de correr sem lutar pela vitória. "Tenho a minha opinião sobre isso, mas vou tentar deixar as coisas como estão".