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Para lá dos 36 lutadores que estiveram a competir com as cores nacionais nos Mundiais de kickboxing WAKO, que na semana passada se realizaram em Albufeira, também houve representação portuguesa na arbitragem, um dos lados essenciais da modalidade, mas que tantas vezes é esquecido e criticado. Entre esses juízes estava Marcos Gonçalves, que é mesmo um dos mais reconhecidos do mundo, a ponto de ter sido já várias vezes a combates de referência. Ao nosso jornal, poucas horas antes de viajar para Itália para mais um desses duelos, o árbitro de 42 anos falou-nos da sua iniciação na modalidade e como, de forma muito natural, a arbitragem apareceu na sua vida.
"Desde a infância, sempre tive interesse em desportos de combate. Comecei como atleta no judo e mais tarde, aos 13 anos, passei para o kickboxing, talvez pelos filmes. Sempre gostei de tudo o que fosse relacionado com artes marciais". O bichicho da competição estava lá, mas também estava uma ideia de futuro, de perceber o que podia fazer depois de deixar a modalidade. E foi aí, de forma curiosa, que surgiu a arbitragem.
"Foi a ver uma competição. Ainda era atleta e pensei 'um dia a minha carreira de atleta vai acabar, mas gosto tanto de estar envolvido no nisto, que tenho de arranjar alguma coisa que me permita continuar na competição'. Porque enquanto treinador estamos sempre dependentes se vamos ter ou não atletas com capacidade para competir. Mas precisava de algo que me garantisse que ia conseguir continuar estar dentro do jogo. Olhei para o ringue: está um atleta, está outro e está lá outro individuo, que é o árbitro. Fiz o curso e apaixonei-me rápido, até hoje".
E hoje é mesmo um dos mais reconhecidos do mundo, ainda que por cá o kickboxing ainda não tenha a dimensão que gostaria que tivesse. Mesmo assim, ao nosso jornal, Marcos Gonçalves assume que parte da mudança pode suceder precisamente à boleia destes campeonatos que se realizaram em Albufeira. "É importante porque é mais uma oportunidade de poder participar. Infelizmente o kickboxing não tem grandes apoios. Para conseguirmos participar temos de ser nós a suportar. É mais fácil suportar despesas aqui, do que ir a outro país. Acho importante porque dá oportunidade de ver ao mais alto nível. Estão aqui os maiores do mundo. Se a modalidade desperta interesse, vendo atletas de elite mais interesse provavelmente irá despertar."
Nestes campeonatos, como em praticamente todos de todas as modalidades que envolvem juízes, houve algumas críticas para a atuação dos árbitros e o juiz português diz entender perfeitamente. Mas também mostra o outro lado. "Acho normal haver críticas, porque todos erram. Todos os árbitros erram, não há árbitros perfeitos. Mas o que não compreendo certas formas de criticar. Isso nunca fiz enquanto atleta. Temos o direito de sentir prejudicados, mas há formas próprias de se protestar. Mas temos de perceber que os lutadores erram, os treinadores erram e os árbitros também. Também tem esse direito. Faz parte do jogo esse erro".
Uma vida a viajar... com pouco turismo
Como árbitro de referência, Marcos Gonçalves tem oportunidade de correr o mundo para ajuizar combates decisivos, mas não se pense que esta vida é fácil. E, às vezes, nem há grande tempo para conhecer os destinos. "Fiz muitas viagens este ano, mas não é sempre assim. Estes últimos três anos tenho trabalhado muito no circuito profissional. Quem está à frente do kickboxing mundial confia no meu trabalho e tenho tido muitas oportunidades. Vou habitualmente a Espanha e França, mas já fui a Abu Dhabi, Noruega. Foram experiências. Nem sempre dá para fazer turismo. Às vezes dá, como em Abu Dhabi e Noruega", confessa.
Depois dos Mundiais, o árbitro português foi diretamente para Milão para comandar o duelo de título entre o espanhol Sergio Sánchez e o italiano de origem georgiana Armen Petrosyan. Uma luta muito importante, que o árbitro português assume ter sido um "motivo de orgulho", por demonstrar "confiança" em si para estes eventos importantes. Mas também dá responsabilidade extra: "faz com que me sinta na obrigação de trabalhar, ler e estar atualizado nas regras. Se confiam em mim, não posso falhar-lhes".
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