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Polémica no boxe: árbitra viu toalha no chão do ringue… e chutou-a para longe

Polémica no boxe
• Foto: Frame DAZN

A expressão ‘atirar a toalha ao chão’ é utilizada nas mais diversas situações, quando pretendemos aludir a uma desistência. Nasceu no universo do boxe e acontece quando o treinador de um pugilista considera que o seu pupilo está ferido, exausto ou sem condições físicas para continuar em ação. É um sinal de rendição oficial e permite sinalizar junto do árbitro que o combate deve ser interrompido de imediato.

Apesar de não existir uma data concreta em que a expressão se celebrizou, o primeiro registo escrito surge em Inglês, no ano de 1913, no jornal norte-americano ‘The Fort Wayne Jounal-Gazette’. Os historiadores chegaram a seguir um filão que os levava até rituais antigos das termas romanas ou gregas, mas os especialistas acabaram por confirma que esta expressão é estritamente desportiva e, claro está, associada ao boxe.

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E o que nos leva em 2026 a relembrar uma expressão que nasceu em 1913? Pelo facto de ser uma das regras não escritas da modalidade que é universalmente reconhecida e respeitada por todos, mas que foi esquecida no passado fim-de-semana, em plena O2 Arena de Londres.

Toalha no canto do ringue

Tudo aconteceu durante o combate de pesos pesados do passado sábado, entre o jovem promissor Adam Olaniyan e o veteran Dan Garber. Pouco depois do arranque do 2º round, o canto de Garber atirou a toalha ao chão, num gesto que não foi imediatamente visto pela árbitra Amy Pu. Depois de ser avisada, a juiz chutou a toalha para longe e deu ordem para que o combate continuasse.

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Poucos minutos depois, ainda dentro do 2º round, o veterano lutador acabou mesmo por vergar, como o seu treinador tinha antevisto pouco antes, e o triunfo ficou nas mãos do jovem Olaniyan. A polémica instalou-se de imediato, com o universo dos Desportos de Combate a questionar-se sobre o que motivou a decisão da juiz.

De resto, o antigo campeão de pesos médios Andy Lee, que agora se dedica a treinar jovens talentos do boxe, foi dos primeiros a reagir: “Como treinador, não gostava que isto me tivesse acontecido. É um pouco como uma luta de poder… Mas não vingou a vontade de quem devia…”

De facto, um olhar rápido e atento ao passado recente da modalidade mostra-nos que é muito raro que um árbitro desrespeite a decisão de uma toalha atirada ao chão. Mas pode acontecer…

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Árbitra avalia condição do pugilista

Em junho de 2021, o árbitro Steve Gray estava a controlar todas as incidências do embate entre Lewis Ritson e Jeremias Ponce, quando o canto de Ritson, que já tinha ido ao chão três vezes, atirou a toalha para o centro do ringue em pleno 10º assalto. O juiz da partida ignorou o gesto e recebeu muitas críticas dos mais diversos quadrantes.

O promotor Eddie Hearn, por exemplo, foi cáustico: “O árbitro pode fazer o que quiser. Mas acho que eles não deviam ter essa opção. Francamente, parece-me que não há ninguém que conheça melhor um lutador do que os integrantes do seu ‘canto’. Até porque ninguém sabe quais foram as conversas e o que estava combinado entre treinadores e pugilista. Acho que colocou o lutador em perigo.”

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Ainda antes desta data, em 2007, uma batalha épica entre o australiano Michael Katsidis e o britânico Graham Earl, que lutavam pelo título de pesos leves da WBO, teve uma situação similar. No 2º round, já depois de três quedas ao solo, o canto de Earl lançou a toalha, gesto que foi ignorado pelo árbitro Micky Vann. O combate continuou e no intervalo entre o 5º e o 6º assalto, a equipa de Earl optou por tirá-lo do ringue.

Momento da decisão

Já temos três exemplos, falta-nos entrar a fundo nas regras. E são bem simples… De acordo com o que está patente nas leis oficiais de todas as organizações que tutelam o boxe a nível mundial, está redigido que apenas um árbitro pode parar um combate a meio de um round. Feitas as contas, não há obrigatoriedade do juiz aceitar a toalha lançada para o ringue como uma ordem para finalizar o evento.

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Todos os combates de boxe profissionais disputados na Grâ-Bretanha, palco deste incidente recente, contam com a presença de um supervisor da British Boxing Board of Control. E é a este elemento que cabe a análise a tudo aquilo que se passa em cima de um ringue.

No passado sábado era Robert Smith, secretário-geral do organismo, que tinha esta missão. No final do combate terá analisado o relatório do árbitro e decidido que não existiu nenhuma irregularidade por parte da árbitra deste encontro.

Recorde-se que a árbitra Amy Pu se tornou, em 2024, a primeira mulher árbitra profissional no boxe das Ilhas Britânicas, depois de um longo período como juiz em combates amadores.

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Por João Seixas
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