É a rutura com o passado. Portugal conquistou quatro medalhas (1 de ouro, 1 de prata e 2 de bronze) na Taça do Mundo disputada este fim de semana em Anadia, alcançando os melhores resultados internacionais de sempre na variante rainha da ginástica e com maior tradição na história dos Jogos Olímpicos.
A treinadora Cristina Gomes, coordenadora técnica nacional, explicou a Record as razões do fenómeno:“O que se passa é que o sistema desportivo em Portugal está muito mais evoluído do que há uns anos. Numa modalidade técnica, são necessários meios que permitam um treino de qualidade e começam a haver salas com essas características, à semelhança daquilo que acontece com outros países que investem há vários anos”, considerou a também treinadora do Sport Clube do Porto.
Muito embora a maioria dos atletas trabalhem no seu próprio clube, uma das razões para o sucesso são as condições criadas pelo Centro de Alto Rendimento da Anadia, onde Filipa Martins arrecadou uma medalha de ouro (solo), uma de prata (paralelas assimétricas) e bronze (saltos), e Diana Abrantes foi 3.ª (trave).
Cristina Gomes, que também é a treinadora pessoal de Filipa Martins, elogiou o trabalho das ginastas:“É o culminar de uma época com grandes resultados, não só da Filipa, mas também da Diana e do grupo com quem trabalhamos. AFilipa, por exemplo, já tinha conquistado uma medalha de bronze no solo na Taça do Mundo de Ljubljana, na Eslovénia, em 2013, e foi a primeira portuguesa a qualificar-se para a final de um all-around no Europeu. Tem evoluído e está a colher os frutos da sua dedicação e talento. Tem qualidade para ir aos Jogos Olímpicos do Rio’16.”
As expectativas são boas para cumprir os objetivos:“Vamos continuar a trabalhar numa série de competições para que exista uma evolução constante até ao Mundial de 2015, onde se apurarão as 96 ginastas para os Jogos. Realço que o que temos conseguido não está concentrado em ginastas como a Filipa ou a Diana. Existe um grupo alargado que se estende aos juniores, com muitas potencialidades”, explicou.
Os patrocínios são muito escassos
Cristina Gomes defendeu que a ginástica artística tem tido uma evolução positiva nos últimos anos, mas há coisas que podem melhorar:“As ginastas têm poucos apoios para praticar uma modalidade tão exigente. Apesar do investimento das famílias, dos clubes e da federação, ainda não existe apoio suficiente dos patrocinadores, que poderiam sustentar melhor o esforço e dedicação dos praticantes. Vamos continuar à procura de melhores resultados internacionais, pois sabemos que isso poderá contribuir para um maior investimento dos sponsors.”
Prova de Sangalhos destacada pela FIG
A página na internet da Federação Internacional de Ginástica (FIG) deu ontem um grande destaque à Taça do Mundo de Anadia, elogiando a performance de Filipa Martins, uma das vencedoras do último dia da competição: “Em final emocionante, Filipa Martins conquistou o título no solo (12.875) depois de levar o bronze no salto (13.487) e prata nas barras assimétricas (12.675). Martins, que se qualificou para cada evento final entre os três melhores ginastas, disse que o desempenho instável na trave acabou por motivá-la para o solo, última prova do evento.”