_
A Federação Britânica de Ginástica (British Gymnastics) 'acordou' esta quinta-feira envolvida numa grande polémica depois de um relatório que foi hoje publicado pela magistrada Anne Whyte QC, indicada para conduzir a investigação iniciada em 2020 e que custou cerca de 3,5 milhões de euros.
As alegações finais do relatório, conhecidas esta quinta-feira e divulgadas por grande parte da imprensa britânica, contam com mais de 400 depoimentos de crianças ginastas que sofreram abusos físicos, mentais e alguns até mesmo de ordem sexual, além de intimidações e humilhações por parte dos seus treinadores.
De acordo com o 'Whyte Review', nome que foi dado a este relatório, crianças de até sete anos eram forçadas a ficar "durante horas" penduradas em argolas de ginástica por chegarem atrasadas aos treinos, proibidas de ir à casa de banho, de beberem água e de comerem durante as sessões mais alongadas. Além disto, algumas revelam que durante os alongamentos alguns treinadores forçavam tanto as pernas - alguns chegavam mesmo a sentar-se em cima delas - ao ponto de não saberem como as pernas simplesmenten "não se partiam".
O relatório, que contou com o aval da UK Sport - organismo responsável pelo investimento no desporto olímpico e paralímpico no Reino Unido - e da Sport England - órgão público fundado pelo Departamento da Cultura, Média e do Desporto do Reino Unido -, foi iniciado depois de terem sido feitas centenas de denúncias de abuso na British Gymnatics que, segundo o jornal 'The Guardian', entre 2008 e 2016, nem sequer guardava registo de queixas feitas contra os treinadores.
"Uma pessoa imagina quantos escândalos desportivos serão necessários até o governo entender que precisa de agir para proteger as crianças que participam no desporto. Ouvi relatos extremos de ginastas que escondiam comida debaixo da cama dos seus quartos porque existiam treinadores que faziam inspeções de estilo militar às suas malas de viagem, à procura de comida", pode ler-se nas conclusões finais do relatório, escritas pela advogada e autora do 'Whyte Review'.