Salto para o pódio de Sílvia Saiote e Beatriz Martins

Salto para o pódio de Sílvia Saiote e Beatriz Martins
• Foto: Fernando Ferreira

Em dois fins de semana consecutivos, Sílvia Saiote e Beatriz Martins saltaram de principiantes a líderes do ranking mundial em trampolim sincronizado. A dupla nacional, que apenas se juntou este ano, conquistou duas medalhas, uma de ouro, outra de prata, e venceu o circuito mundial da especialidade. “Nunca pensámos estar no pódio, quanto mais vencermos o circuito”, conta Sílva. “Soubemos quando, em Minsk, no sábado, nos chamaram para ir buscar a taça. Olhámos uma para a outra, rimo-nos e desatámos a correr. Houve um bocado de histerismo”, confessa, por sua vez, Beatriz, com um sorriso.

“Na Bielorrússia o objetivo era estar na final, para não pensarem que o ouro em Loulé tinha sido sorte de principiantes. Queríamos ter uma palavra a dizer”, refere Sílvia, a impulsionadora desta dupla. O objetivo foi cumprido e agora só desejam melhorar no sincronismo, na dificuldade dos exercícios e na sua execução.

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As ginastas têm seis anos de diferença e Beatriz lembra-se de, em 2005, ver Sílvia sagrar-se campeã do Mundo em duplo mini-trampolim. Já Sílvia recorda-se da “pequenita” Bia. Nessa altura, não imaginariam que anos mais tarde estariam a saltar em perfeita sintonia. Um desafio proposto por Sílvia e aceite, em boa hora, pela atleta do Lisboa Ginásio Clube.

“Apanhei o jeito da Bia, que em competição é ainda mais forte do que nos treinos, salta com mais pujança”, diz a sportinguista, que apesar de ter mais experiência deixa que seja Beatriz a marcar o início da série, para lhe dar mais confiança: “Quando tu estiveres bem, nós estamos bem.” E assim tem sido...

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Cantar o hino supera medalhas

Foram muitos os elogios que Sílvia Saiote e Beatriz Martins receberam desde o passado dia 7, quando subiram ao primeiro lugar do pódio na Taça do Mundo em Loulé. “Ganhar é bom, em Portugal ainda mais. Acabar a série, fechar os olhos e ouvir as pessoas é uma sensação de arrepiar”, comenta Bia: “Melhor do que ganhar a medalha é cantar o hino.” As duas ginastas esperam poder viver esta sensação mais vezes e prometem tudo fazer para continuar a melhorar. O apoio da família e dos colegas é fundamental.

Expectativas aumentam

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Os resultados até agora alcançados deixam Sílvia Saiote e Beatriz Martins “muito satisfeitas”, mas as ginastas portuguesas mostram-se ambiciosas e por isso aumentam as expectativas em relação ao que poderão fazer no Mundial, em novembro, nos EUA.

“Com as Taças do Mundo a serem disputadas neste mês de setembro, o verão foi passado a treinar. Ficámos surpreendidas por já estarmos tão fortes. Quando chegarmos ao Campeonato do Mundo estaremos no topo da forma. É preciso aproveitar, porque os trampolins vivem muito do momento”, refere a ginasta do Sporting.

Até novembro estão programados dois estágios da Seleção para que as ginastas possam treinar em conjunto de forma a preparar o Mundial, onde a dupla quer aumentar a dificuldade da série apresentada. E mais uma vez a meta a alcançar é a final. Depois, estando entre as oito melhores, tudo pode acontecer.

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Apenas pedem mais estágios

“Era fundamental conseguirmos mais apoios, e não falo em termos financeiros. Era importante termos mais estágios, mais participações internacionais, haver a possibilidade, por exemplo, de treinarmos em dois trampolins iguais... Só queremos ser melhores”, diz Sílvia Saiote.

Esta dupla apenas treina em conjunto quanto está na Seleção. Sílvia é atleta do Sporting, Beatriz do Lisboa Ginásio Clube. Por isso consideram fundamental ter mais tempo para saltarem juntas.

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Acreditam que a modalidade tem atletas com grande potencial e que mais estágios só poderiam dar em bons resultados: “Queremos ter as condições para representar o nosso país da melhor maneira possível”, remata Bia.

Aproveitar o momento

Beatriz olha para Sílvia como “um dos espíritos da Seleção”. “Ela põe música, canta, dança, mas em competição também é muito concentrada, gosta de estar ‘na dela’, na sua bolha.” Sílvia ri-se com a descrição da amiga mas sabe que assim é: “Sou uma pessoa muito atenta, não deixo passar nada e faço tudo para criar bom ambiente.” Já em relação à colega de sincronizado, Sílvia fala de “uma pessoa determinada e muito divertida”.

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“Quando estou na Seleção gosto de viver o momento, de aproveitar aquela experiência ao máximo”, conta Beatriz, que começou a praticar a modalidade em Sines, “cidade em que a ginástica é o desporto-rei”, diz, lembrando que os ginastas eram os seus ídolos.

Entre as aulas e os treinos

Beatriz Martins, de 20 anos, é aluna do 3.º ano de Medicina, o único curso que escolheu quando se candidatou à universidade. Sílvia, de 26, é licenciada em Economia e está prestes a defender a sua tese de Mestrado em Gestão. Diariamente treinam, cada uma no seu clube, entre duas a três horas, ao final da tarde, já depois de um longo dia. Admitem que não é fácil conciliar tudo – “as aulas só começaram há dois dias e já está a ser complicado”, conta Bia –, mas fazem o que mais gostam e por isso queixam-se de não poderem viver apenas dos trampolins. Gostavam de ver a modalidade deixar de ser amadora, mas também sabem que enquanto os patrocínios não aparecerem, a aposta exclusiva nos trampolins vai sendo adiada.

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