Portugal assegurou a manutenção na 1.ª Divisão do Campeonato da Europa Amador Masculino por Equipas, organizado pela Associação Europeia de Golfe e pela Federação Italiana de Golfe, nos arredores de Turim.
A seleção nacional masculina amadora terminou a competição disputada no Royal Park I Roveri na 12ª posição, entre 16 países.
Portugal jogou com dois atletas do Club de Golf de Miramar (Pedro Cruz e João Iglésias), dois do Clube de Campo da Aroeira (João Miguel Pereira e João Teixeira e Costa), um do Oporto Golf Club (Miguel Azevedo Cardoso) e um do Clube de Golfe de Vilamoura (Francisco Coelho), sendo que Pedro Cruz, João Teixeira e Costa e Francisco Coelho estiveram recentemente a representar as suas universidades no circuito norte-americano.
A primeira fase da prova foi disputada em 'stroke play' (por pancadas) durante dois dias, sendo contabilizados para cada equipa os cinco melhores resultados individuais.
No final do primeiro dia, Portugal ocupava o 16.º e último lugar, com 377 pancadas, 17 acima do Par. O português com o melhor resultado foi João Miguel Pereira, com 73 pancadas (+1), ficando entre os 55.º's na classificação individual, entre 96 jogadores.
Terminada a segunda jornada, Portugal não logrou sair do 16.º e último lugar, com 750 pancadas, 30 acima do Par, após um segundo dia de 373. O melhor português na segunda volta foi Kiko Matos Coelho, com 73 pancadas (+1). Foi também o atleta da Arizona State University a cotar-se como o melhor golfista nacional, fechando a primeira fase no 79.º posto, com 149 (+5), após voltas de 76 e 73.
O melhor jogador aos 36 buracos foi o holandês Jerri Ji com 130 (64+66), 14 abaixo do Par. Houve um total de 50 jogadores a ficarem abaixo do Par.
A Alemanha foi a 1.ª classificada com 688 pancadas, 32 abaixo do Par, após voltas de 345 e 343. Houve 12 dos 16 países a baterem o Par do campo para os 36 buracos.
A segunda fase, em 'match play' (eliminação direta), separou as nações que ocuparem as oito primeiras posições após a fase inicial, para lutarem pelo título, e os restantes oito países que procuraram, sobretudo, a manutenção na divisão cimeira do Europeu, sabendo-se que os classificados entre os 14.º e 16.º lugares seriam relegados para a 2.ª Divisão.
Foi com esse objetivo, o da manutenção, que a seleção nacional partiu para essa segunda fase, sob a direção dos profissionais Tomás Bessa e Gonçalo Pinto. O primeiro ainda compete em circuitos profissionais internacionais, o segundo é há alguns anos um dos melhores treinadores portugueses.
"Eu o Gonçalo Pinto estivemos a acompanhar as equipas como capitães. Orientámos a preparação deles, em termos de planeamento do treino para essa semana, e ajudámos na parte estratégica e na análise do campo", disse Tomás Bessa a Record.
Portugal ficou agrupado com a Irlanda, Escócia, Finlândia, Suíça, Áustria, País de Gales e Dinamarca, enquanto o título iria ser decidido entre Alemanha, Itália, Estónia, França, Espanha, Suécia, Holanda e Inglaterra.
Logo no primeiro dia, os portugueses derrotaram por 3-2 a Irlanda, o melhor país do Segundo 'Flight', pois terminara a primeira fase do Europeu no 9.º lugar.
Os resultados foram os seguintes:
Em pares, no formato de 'foursomes', João Teixeira e Costa e Miguel Azevedo Cardoso ganharam por 2Up (por dois buracos de vantagem) a Hugh Foley e Sean Keeling.
Em singulares, houve duas vitórias para cada umas equipas. Pedro Cruz venceu Caolan Rafferty por 1Up e Kiko Matos Coelho conseguiu impor-se a Liam Nolan no 19.º buraco (1.º de ‘play-off’). João Miguel Pereira perdeu por 4-3 com Max Kennedy e João Iglésias foi suplantado por Matthew McClean, por 3-2.
Tomás Bessa, o campeão nacional de 2020, não tem dúvidas sobre o enorme valor desta vitória dos seus jogadores:
"Ganharmos à Irlanda, que ficou a apenas 3 pancadas do Primeiro 'Flight'… era uma seleção claramente candidata ao título e no último Europeu tinha chegado à final. Contou com jogadores que já jogaram a Junior Ryder Cup, com vários atletas do top-100 mundial amador, com um jogador que recentemente qualificou-se para o The Open (o famoso British Open) – o Max Kennedy, que foi ao 'playoff' do Europeu Individual há 2 semanas –, acho mesmo que deve ser realçada a qualidade da Irlanda, para perceber-se bem a vitória que Portugal alcançou".
Um sucesso que ditou logo a fuga à despromoção, pois colocou Portugal na luta pelas posições entre o 9.º e o 12.º lugar do Europeu, deixando para as equipas derrotadas na primeira ronda o ónus de combaterem pelos postos entre o 13.º e o 16.º.
Daí que as derrotas posteriores com a Suíça e a Dinamarca, em ambos os casos por 4-1, não tenham colocado em causa o grande objetivo da FPG, a manutenção. Uma tempestade que afetou o quarto dia de prova e interrompeu a competição, levou muitos jogadores, entre os quais os portugueses, a disputaram dois encontros no último dia.
A única vitória portuguesa frente à Suíça aconteceu nos pares, com Miguel Azevedo Cardoso e João Teixeira e Costa a baterem a dupla de Tom Mao e Loic Naas por 1Up (um buraco de vantagem). De resto, nos singulares, os resultados foram os seguintes: Maximilien Sturdza-Kiko Matos Coelho, 4-3; Max Schliesing-João Pereira, 2-1; Nicola Gerhardsen-Pedro Cruz, 1Up; Patrick Foley-João Iglésias, 3-2.
Já diante da Dinamarca, o único ponto conquistado por Portugal deveu-se a Miguel Azevedo Cardoso, que derrotou Jacob Skov Olesen por 2-1. Os restantes resultados foram os seguintes: Jonathan Nielsen-João Teixeira e Costa, 2-1; Emil Elkjær Petersen-Pedro Cruz, 2-1; Mads Heller-Kiko Matos Coelho, 2-1; Magnus Becker Frederiksen/Oscar Valdemar-João Miguel Pereira/João Iglésias, 2-1.
As equipas despromovidas à 2.ª Divisão do Europeu foram a Escócia, País de Gales e Áustria, enquanto o Segundo ‘Flight’ foi conquistado pela Finlândia, que venceu nessa final de consolação a Suíça por 3-2.
A Suécia sagrou-se campeã da Europa, ao bater na final do Primeiro 'Flight' a Holanda por 3-2. Foi o segundo título europeu dos suecos, que em 2019 tinham beneficiado do fator casa (em Ljunghusen).
Por Hugo Ribeiro/FPG