Hugo Gaidão: «Houve jogadores do Candelária a passar fome»

"Espero sinceramente que o Candelária feche as portas!" As palavras duras são do ex-treinador Hugo Gaidão e o desejo pode não estar longe de se concretizar. A viver um vazio diretivo e sem jogadores ou treinador, o clube picaroto tem o seu futuro comprometido, correndo sérios riscos de não se apresentar para a disputa do campeonato da 1.ª Divisão em outubro.

Hugo Gaidão aceitou na temporada passada o desafio de treinar a equipa açoriana que já teve Pedro Nunes, Paulo Baptista ou Carlos Dantas ao leme, mas arrependeu-se. "Foi um ano péssimo a todos os níveis. Foi um erro ter ido para o Candelária", lamenta, descrevendo um cenário dantesco. "É quase um clube-fantasma. Só os jogadores, o treinador e o roupeiro – o Sousa – é que apareciam. Da direção só víamos o Milton Jorge, porque também era guarda-redes e ia treinar-se", explica o técnico, que alega só ter recebido até janeiro.

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Para o treinador, apesar da abnegação que reconhece aos jogadores, não há bases no clube para a continuidade. "Falta organização, cultura desportiva e dinheiro", aponta. "Só lá estando é que sabemos. Jamais pensaria que as coisas estavam daquela forma. Houve jogadores meus a passar fome", vinca.

Ascensão e queda

O Candelária Sport Clube foi fundado em 1990 e teve uma ascensão meteórica depois de 2002, ano de estreia na 3.ª Divisão. Em apenas três anos atingiu o escalão principal, para não mais largar o convívio dos grandes, brilhando também a nível europeu. Esteve na final da Taça CERS em 2007, perdendo com o Vilanova a duas mãos, e em 2011 (Andorra) e 2012 (Lodi) esteve presente na Final 8 da Liga Europeia.

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O crescimento do clube levou a Câmara da Madalena à construção de um novo pavilhão, inaugurado em 2008, mas também a utilização desse espaço poderá estar em risco, mesmo que o clube açoriano continue, dado que são devidos pagamentos por parte do Candelária. De resto, Câmara e clube não se entendem e os apoios camarários, a entregar em setembro, foram penhorados em favor dos ex-jogadores Miguel Dantas e Tiago Rafael. A medida foi contestada pelo Candelária – dado que este tipo de verbas não poderá ser alvo de penhora –, mas a disputa deverá impedir a entrega dos apoios em tempo útil.

Record tentou contactar a presidente cessante, Brenda Jorge, e o diretor Milton Jorge, mas teve a mesma sorte dos jogadores, ficando sem resposta.

Capitão sem esperança

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Saturado e sem esperança está Tiago Resende. Nove épocas no Pico, sete delas como capitão, mereceriam "mais respeito" e não um desprezo total nas tentativas de contacto. Agora soma já 11 meses de vencimentos em atraso.

Quem já planeia o futuro fora da ilha é Alan Fernandes. Pese os seis meses por receber desta época, que se juntam aos dois de 2013/14, a vontade era continuar no Pico. "Há mês e meio que não consigo falar com ninguém. Não vejo solução, mesmo que apareça alguém com dinheiro. O buraco é muito grande", lastima, justificando a permanência na época passada. "Apesar de passarmos por problemas graves, como não ter dinheiro para comer, resolvíamos tudo no seio do grupo."

Federação preocupada

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Contactado por Record, Paulo Rodrigues, vice-presidente da Federação (FPP), mostrou-se preocupado, mas ressalva que "o Candelária está qualificado para a 1.ª Divisão". "Tem as suas obrigações para com a FPP em dia, inscreveu-se para o Nacional da 1.ª Divisão e para nós ‘vai a jogo’", refere.

"Os clubes têm até 15 dias antes do início da prova para comunicarem à FPP a sua não participação, e neste caso, pelos regulamentos, sobem Os Tigres". Porém, se não o comunicar atempadamente, "é excluído da prova e sancionado com 8 salários mínimos nacionais, não havendo lugar a promoção de nenhuma outra equipa", explica o dirigente. "Era bom para todos que esta situação se clarificasse o mais rápido possível."

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