Surpreendida com o mínimo, chegou a pensar acabar a carreira em Londres, mas já admite continuar.
RECORD – Que recordações tem dos Jogos de Pequim’2008?
CLARISSE CRUZ – Bastante boas. Fui 15.ª na eliminatória de 3.000 metros obstáculos mas, claro, passar à final não estava de forma alguma nas perspetivas. Todavia, ter estado nos Jogos Olímpicos foi um objetivo cumprido, um momento único na vida, pela experiência, pelo convívio, pelo país...
R – Nas épocas seguintes não conseguiu repetir ou aproximar-se das marcas feitas nesse ano. O que sucedeu?
CC – Não sou profissional, trabalho diariamente na secretaria da Câmara Municipal de Ovar e comecei a sentir um grande cansaço, talvez também pelo facto de treinar de manhã, antes de entrar no serviço, às 9 horas, e, depois, ao fim da tarde. Não conseguia recuperar e com o decorrer das semanas e dos meses, pior. Quando deixei de fazer bidiários, melhorei. Além disso, na sequência da morte do meu pai, tive problemas pessoais e fui-me abaixo psicologicamente. Tudo isso contribuiu para que os resultados se ressentissem. Mas estou de volta!
R – Pensava voltar a estar nuns Jogos Olímpicos?
CC–Sinceramente, não. Não contava voltar a ser olímpica até porque as marcas agora medidas são bem mais exigentes do que há quatro anos. Para Pequim eram precisos 9 minutos e 55 segundos nos 3.000 metros obstáculos, agora omínimo B é 9.42,50...
R – Ter feito o mínimo na Taça dos Campeões Europeus, no Algarve, foi, pois, uma surpresa.
CC–Depois de ter corrido em 9.50 no Campeonato de Lisboa, mínimo para o Europeu, comecei a pensar na hipótese de mínimo para os Jogos. Mas na Taça dos Campeões Europeus, noAlgarve, a certa altura da corrida fiquei na frente, sozinha e por isso não contava conseguir o recorde pessoal e logo com 9.41,72. Foi excelente, cinco estrelas!...
R – Daqui até aos Jogos Olímpicos vai ter dispensa do trabalho?
CC – Sim, já foi aprovada. Agora irei para o Campeonato da Europa, em Helsínquia e, quando regressar, no início de julho, já não irei trabalhar.
R – E quais são as expectativas para o Europeu?
CC – Queria fazer o mínimo A para os Jogos (9.40) e, se o conseguir, talvez chegue à final.
R – E nos Jogos de Londres?
CC – Aí é mais complicado, as ambições têm que ser contidas. Tentarei fazer o melhor possível. E se conseguir melhorar o 34.º lugar do Jogos de Pequim já será positivo.
R – Afirmou recentemente que gostaria de terminar a carreira nos Jogos. Mantém essa ideia?
CC – Bem, se tudo correr como espero, talvez faça mais uma época. Estou num bom momento, o Sporting precisa de mim, eu gostaria de retribuir o que o clube tem feito por mim e, por isso, talvez continue. Depois, decidirei época a época. Já estou com quase 34 anos, treinar e trabalhar é bastante duro, precisarei de descansar. Vamos a ver. Terei tempo para decidir. _
QUEM É
Nome: CLARISSE Maria Pinho CRUZ
Nascimento: Ovar, 9/7/78, 33 anos
Altura e peso: 1,70 m e 53 kg
Clube: Sporting (desde 2004)
Treinador: António Beça
Recordes pessoais: 800 m – 2.10,42 (2001); 1.500 m – 4.21,39 (2004); 3.000 m – 9.02,52 (2001); 5.000 m – 15.49,16 (2001); 3.000 obst. – 9.41,72 (2012)
Títulos nacionais: 3.000 m obstáculos em 2004, 2005, 2006 e 2010; 3.000 m (pista coberta) em 2003
Internacionalizações: (3.000m obstáculos ou cortamato): Jogos Olímpicos de Pequim’2008 (15.ª elim.); Mundial de Helsínquia’2005 (10.ª na elim.); Ibero-Americanos de Huelva’2004 (2.ª); Taça da Europa de Leiria’2005 (2.ª); Mundial de Corta-Mato (curto) de 2002 (56.ª) e 2003 (67.ª)