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Quatro anos depois, a expressão "na caminha" está esquecida, embora admita que foi uma "boa aprendizagem"
RECORD – Estão passados quatro anos sobre a sua estreia olímpica, marcada pela expressão “na caminha”, relativa à hora a que foi realizada a qualificação do lançamento do peso. Essa sua expressão levantou muita celeuma e até levou a que fosse antecipado o seu regresso a Portugal. Como recorda esses Jogos?
MARCO FORTES – Isso já faz parte do passado, mas representou uma grande aprendizagem para quem, como eu, chegou aos Jogos Olímpicos sem qualquer experiência. As minhas palavras foram mal interpretadas, paciência, já esqueci. E até aquelas pessoas que na altura mais me atacaram são agora aquelas que mais me elogiam. Como disse, é passado, está esquecido. Mas foi uma boa aprendizagem…
R – O que é certo é que, de então para cá, progrediu sucessivamente para 20,52 em 2009, 20,89 em 2011, este ano já passou os 21 metros (21,02). A que se devem tais progressos?
MF – Por um lado, mudei para um clube (Benfica) que tem como ob-jetivo o atletismo ao mais alto nível e criou todos os apoios com esse fim. Por outro, criaram-se infraestruturas, como a Nave do Jamor, de grande importância para o treino das disciplinas técnicas, daí resultando uma grande progressão da boa parte dos atletas nacionais que a utilizam. O trabalho em termos técnicos ficou mais fácil e a evolução nessas especialidades mais técnicas tornou-se natural.
R – Esperava chegar tão cedo na época [Taça da Europa de Lançamentos, em março] aos 21metros?
MF – Esperava consegui-los esta época. Abri muito bem a época de pista coberta, com 20,57, a seguir 20,77, depois 20,91. Os 21 metros passaram a estar sempre presentes, a evolução seria natural. A única prova deste inverno menos boa foi a do Mundial, ainda na sequência da questão que tive com os juízes de Leiria, a qual se prolongou no tempo e me desestabilizou. Perdi um pouco o ritmo antes do Mundial, mas depois as coisas foram ao sítio e consegui os 21,02.
R–…que terão sido um pouco cedo na época, face à distância a que estavam os Jogos.
MF– Depois de um inverno de alto nível tivemos de parar e pensar que os grandes objetivos ainda estavam distantes. O Europeu [5.º lugar] constituiu uma desilusão mas agora os resultados penso que começarão a aparecer.
R – Tem feito muitas provas ultimamente, cá e lá fora…
MF – Sim, mas pararei agora [este sábado], a seguir ao Meeting de Londres, que será de grande nível. Terei duas semanas para recuperar das provas e das viagens e para afinar os últimos pormenores.
R – Como antevê os Jogos Olímpicos?
MF – Espero que as coisas acabem por correr bem e possa lançar longe. Mas há um leque de sete ou oito atletas de nível altíssimo, pelo que a tarefa não é simples. Não penso em finais, penso é que tudo tem que estar a 100 por cento. Estou confiante, mas não traço objetivos. Se tudo correr bem poderei ser um dos 12 finalistas, mas não quero estar obcecado com essa ideia.
MARCO Paulo FORTES
Nascimento: Lisboa, 26/8/1982, 29 anos
Altura e peso: 1,89 m e 127 kg
Clubes: Sporting (1996 a 2009) e Benfica (desde 2010)
Treinador: Vladimir Zinchenko
Recordes nacionais (no peso): absoluto (21,02 em 2012) e de pista coberta (20,91 em 2012), de Sub-23 (18,76 em 2002) e de juniores (18,02 em 2001)
Títulos nacionais: campeão de Portugal no peso de ar livre (2002 a 2012) e pista coberta (2001 a 2003 e 2005 a 2012); campeão no disco em 2009 e 2011
Principais internacionalizações (no peso): Jogos Olímpicos de 2008 (38.º); Mundiais de 2009 (18.º) e 2011 (6.º); Europeus de 2010 (13.º); Ibero-Americanos de 2004 (7.º) e 2010 (1.º); Mundiais de pista coberta de 2008 (20.º), 2010 (n/classif.) e 2012 (10.º); Europeus de pista coberta de 2002 (24.º), 2009 (14.º) e 2011 (8.º)