_
Portugal chega aos Jogos Olímpicos com expectativas menos elevadas do que em anteriores edições, por força de uma série de ausências que fazem recair o peso das medalhas quase exclusivamente sobre a judoca Telma Monteiro.
Em Pequim'2008, o presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP) antecipou três ou quatro medalhas, mas só Nelson Évora e Vanessa Fernandes corresponderam. Este ano, sem o campeão olímpico do triplo salto nem a vice-campeã do triatlo, Vicente Moura mostrou-se mais reservado. "As minhas previsões não são muito otimistas em termos de pódio, mas não em termos de final. Às vezes as coisas acontecem. Há quatro anos enganei-me e espero que me volte a enganar novamente em Londres", afirmou o líder do COP, a duas semanas do arranque dos Jogos Olímpicos.
As expectativas frustradas de Pequim, as lesões de Nelson Évora, Rui Silva (bronze nos 1.500 metros em Atenas'2004) e Francis Obikwelu (prata nos 100 metros em Atenas'2004) - que deixam a comitiva portuguesa sem qualquer medalhado olímpico - e o ocaso de Vanessa Fernandes talvez expliquem a contenção de Vicente Moura. A estes junta-se ainda Naide Gomes, que procurava redenção em Londres após a desilusão no comprimento em Pequim e que acabou lesionada, limitando ainda mais os horizontes equipa de atletismo portuguesa, que poderá não trazer medalhas dos Jogos pela primeira vez desde há 20 anos.
Com o atletismo em "baixa", apesar de ser a modalidade mais representada, tendo 24 elementos entre os 77 que vão defender Portugal, os "olhos" de Portugal estão postos no judo. E a responsável é a atleta do Benfica, porta-estandarte de Portugal na cerimónia de abertura, na sexta-feira, dia 27, que não se mostra pressionada por isso.
"Com ou sem medalha olímpica, tenho uma carreira de que me posso orgulhar. Ninguém me tira as três medalhas [de prata] em campeonatos do Mundo, vários títulos europeus e incontáveis medalhas em Taças do Mundo. Sou uma pessoa orgulhosa do que conquistei e espero continuar assim", disse à Lusa a melhor judoca portuguesa de sempre, quatro anos depois do dececionante nono lugar de Pequim.
Terceira do ranking mundial de -57 kg (segunda no apuramento olímpico), Telma Monteiro é justificadamente a maior esperança lusa em Londres, onde a japonesa Kaori Matsumoto, líder da hierarquia e grande dominadora da categoria nos últimos anos, é o seu principal obstáculo no caminho para o ouro. Mas não é invencível. "Se Matsumoto parece ser a grande favorita, todas as outras concorrentes sabem que ela ainda pode melhorar. (...) Telma Monteiro, se competir em Londres como fez em Paris [no Grand Slam] em fevereiro, vai ser imbatível", lê-se na previsão da Federação Internacional de Judo, que aguarda pelo dia 30 de agosto para ser comprovada.