_
O Sporting apresentou esta segunda-feira, no Estádio José Alvalade, a sua comitiva olímpica que vai estar em Paris'2024. O atletismo é a modalidade com maior representação, mas foi o judoca Jorge Fonseca a ser o centro das atenções. Depois do bronze em Tóquio'2020, há o sonho de chegar ao ouro na capital francesa.
"Seria algo que ficaria na história, mas eu também já fiz a minha história. Paris'2024 é lutar por outra história, construir uma nova história. Vou trilhar o meu caminho aos poucos e poucos, competir e chegar ao meu objetivo", considerou Jorge Fonseca, que competirá na categoria de -100 kg.
Para já, o judoca não pensa em medalhas: "Não sinto esse peso. Faltam 15 dias para os Jogos Olímpicos e estou a trabalhar para o meu objetivo. Espero fazer o meu melhor. Sinto-me bem preparado, mas antes de Tóquio'2020 não tinha nenhuma lesão. Em 2023 tive muitas lesões, estou recuperado, mas não no mesmo nível como nos Jogos Olímpicos anteriores."
Paris'2024 não vai ter judocas russos, nem bielorrussos, por causa do conflito na Ucrânia. Serão Jogos mais fracos que Tóquio'2020? Jorge Fonseca diz que a competição vai ser sempre muito forte: "Jogos Olímpicos nunca são fracos. Vão estar os melhores do mundo, com ou sem russos."
O judoca leonino, de 31 anos, teve alguns resultados menos bons no circuito da FIJ, mas depois outros muito bons... A confiança cresceu. "Tive momentos difíceis por causa de muitas lesões, tive altos e baixos. Ganhar e perder faz parte do jogo. Evoluí em termos emocionais para Paris'2024", esclareceu Jorge Fonseca.
Para o olímpico que também esteve no Rio'2016 (17.º lugar) tudo tem sido uma aprendizagem: "Sou um atleta melhor, pois ao longo do tempo tive que saber lidar com as adversidades. Não sabia o que era ter lesões. Estava sempre bem. Sempre um monstro, sempre a treinar bastante. E de repente comecei a lidar com muitas lesões. Passei a cuidar mais de mim, ao nível da alimentação, controlando mais as coisas. Acredito que voltarei a ser um monstro, intocável, chegar a Paris'2024 e fazer estragos."
Nascido em Bombom, São Tomé e Príncipe, Fonseca revela orgulho por representar Portugal: "É incrível, não sei como descrever. Estar nos Jogos Olímpicos e representar o meu País é a melhor coisa que existe no mundo. Passa sempre muita coisa pela cabeça. Como já conquistei uma medalha olímpica, sinto que o meu trabalho foi feito, mas ainda quero ser campeão olímpico."
O que será preciso para que seja um dia perfeito? Jorge Fonseca respondeu: "Só preciso dormir bem, estar bem, descansar bem e dar o meu melhor, sem nervos, sem ansiedade. Chegar lá e fazer os adversários dançarem um pimba, uma kizomba, dar pancada neles [risos]."
Em Paris'2024, há um significado diferente nos terceiros Jogos do olímpico leonino: "Serão Jogos de superação para mim, porque já conquistei uma medalha em Tóquio'2020 e agora quero saber como é que me vou comportar. É um desafio para mim, quanto ao meu treino."
Sejam quais forem os resultados em Paris'2024, Jorge Fonseca promete ir até Los Angeles'2028: "Espero que sim, tenho 31 anos e ficar no judo mais cinco ou seis anos. E depois retirar-me. Também preciso cuidar dos meus filhos e de outras coisas muito importantes. Voltar a tirar o meu curso de polícia. É tudo o que eu tenho programado até os 36 anos. Será o máximo que espero ficar no desporto. E depois realizar os meus objetivos."
Jorge Fonseca terminou com a medalha de bronze em Tóquio'2020 e quando falou na zona mista afiançou que queria ser campeão olímpico numa final frente a um francês em Paris'2024. "O que disse foi dito e nada mudou. É esse o meu espírito. É o doce que me tiraram, como a uma criança. Vou voltar a buscar o meu doce. Vou a Paris'2024 para buscar o que é meu. Vou pelo ouro, com essa mentalidade."
Jorge Fonseca teve problemas em Tóquio'2020 com cãibras nos dedos, que o impediram de ir mais além. Mas essa adversidade parece superada: "Nunca mais voltou a acontecer graças a Deus. Espero que não volte a acontecer. Havia muito nervo, estava muito nervoso e ansioso, tinha muito holofote sobre mim, tinha acabado de ser campeão mundial. Queria tanto conquistar aquela medalha. Acabei por dar maior importância à cãibra do que ao próprio combate. Desconcentrei-me muito e acabei por cometer muitos erros, perdendo a medalha que eu queria. Mas desde esse momento, o meu psicológico está forte. E acredito que mesmo que tenha uma cãibra vou aprender a lutar com ela. Porque eu tenho que saber lutar com qualquer contrariedade, seja com um braço partido ou com uma cãibra."
O poder de explosão é a imagem de marca de Jorge Fonseca, mas também é o judoca mais bem estudado pelos adversários... Qual a estratégia mais apropriada? Jorge Fonseca não está preocupado: "Eu sou um monstro, vou para destruir toda a gente. Ser explosivo, muito estudado, não ligo a isso, gosto de andar à porrada, seja com quem for. Respeito qualquer um, mas estou pronto para a guerra. E vou para a guerra."