Uma carreira tão especial tinha de ter um capítulo final único. Na última prova individual – à hora que lê esta edição, também já nadou os 4x100 estilos, a derradeira por equipas –, Michael Phelps falhou o ouro nos 100 metros mariposa mas o norte-americano nem se importou de ficar com a prata, que teve de partilhar com Chad Le Clos e Laszlo Cseh, algo nunca antes visto. Não porque tem 22 ouros olímpicos, mas sim porque o vencedor foi Joseph Schooling, nadador de Singapura que cresceu a idolatrar Phelps.
Há oito anos, Schooling, que arrebatou o primeiro ouro da história do seu país, tirou uma fotografia com a bala de Baltimore, antes de este rumar a Pequim. Então com 13 anos, Joe, como lhe chamam, viu Phelps fixar o recorde olímpico de 100 metros mariposa. Agora, a marca é dele: 50,39 segundos, bem mais rápido do que os 51,14 de Phelps, Le Clos e Cseh.
E a verdade é que o norte-americano tem a sua quota-parte de culpa. É mesmo ele que o diz. "Claro que não gosto de perder. Mas estou orgulhoso do Joe. Eu queria mudar o desporto e agora estão a ver isso. Quis ensinar as crianças a acreditarem nelas, a não terem medo. Desafiei-as a sonhar. Eu também era um menino com um sonho", confessa Phelps.
A sonhar acordado
Certo é que o norte-americano inspirou quem o derrotou no último suspiro em provas individuais. Ryan Lochte, amigo da lenda, acredita que Phelps vai voltar atrás na decisão... "Não, não, não. Estou muito feliz pela forma como tudo acabou", sentenciou a bala de Baltimore. O legado, esse, é que já ninguém o apaga.
Por Pedro Gonçalo Pinto