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Se os primeiros dois lugares da maratona feminina de Tóquio'2020 não trouxeram grandes surpresas - com bis do Quénia, por Peres Jepchirchir e Brigid Kosgei -, o terceiro posto foi tudo menos esperado. Longe de ser favorita até ao top-10, naquela que era a sua terceira maratona de carreira, a norte-americana Molly Seidel cedo se mostrou na frente e foi aguentando o ritmo da frente até cruzar a meta isolada na terceira posição. Após este feito incrível, Seidel era naturalmente uma atleta radiante, até porque tinha conseguido cumprir o seu (insólito) plano à risca.
"Tento não criar muitas expectativas. Limito-me a ir para a estrada, meter o nariz onde não devo e tentar irritar algumas pessoas. O meu objetivo hoje era simplesmente ir na frente e fazê-las pensar 'quem raio é esta miúda?'", atirou a bem humorada maratonista norte-americana, que aos 27 anos concilia o atletismo com dois empregos e partilha o seu apartamento em Boston com a irmã mais nova.
Habituada a adversidades, Seidel assumiu que as temperaturas elevadas não a assustaram. Bem pelo contrário. Era isso que queria. "Pretendia que estivesse calor e ventoso, por saber que estas mulheres correm muito rápido quando as condições são boas. Creio que me supero no meio da adversidade. O percurso em Atlanta [onde foram os trails americanos] era duro e com algumas subidas. Quando o assunto fica duro, é aí que me destaco", declarou a atleta, que deu aos Estados Unidos a segunda medalha olímpica da história, a primeira desde 2004.
Por Fábio Lima