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RECORD - Como foi o último ano?
DG – Foi um ano atípico. Tive de treinar em casa no primeiro confinamento. Em maio voltámos à piscina e estávamos sem treinar desde março. Foi voltar devagarinho. Passámos a ter menos competições e muitos treinos. O atleta gosta de competir e sentir aquela adrenalina. É isso que nos faz treinar todos os dias empenhados e estar focados nos nossos objetivos. Felizmente os Jogos foram adiados para 2021 e isso deu-nos uma confiança extra para continuar a trabalhar nas nossas metas.
+ Os meses que antecedem os Jogos são de uma carta física muito grande. Adiar os Jogos não foi frustrante devido à repetição da rotina diária dura que antecede a prova?
DG – Sem dúvida. Isso pesa um pouco. Mas valores maiores se levantam como estar toda a gente em casa, estarem a morrer milhares de pessoas e muitos perderem o emprego, como foi o meu caso. Fiquei desempregado. Custa mais um ano, acordar às 6h da manhã, sem competições, sem uma luz ao fundo do túnel. Custa bastante. Mas vivemos anos muito complicados. Tudo o resto fica lá para trás, sem grandes queixas.
+ O que fez para manter a forma?
DG – Fiz muito trabalho em seco, tentava estar ativo. Estive ali duas semanas que pensava que íamos voltar rapidamente e estava sempre ali a bombar todos os dias, a treinar imenso. Depois percebi que as coisas não iam passar assim tão rápido. Comecei a fazer menos, mas todos os dias treinava em casa.
+ Como tem sido a sua rotina?
DG – Vou treinar às 7h, depois faço ginásio até às 11h. Volto à piscina à tarde. Chego a casa por volta das 17h. É esta a minha rotina diária.
+ Disse que foi pai recentemente: menino ou menina?
DG - Menina.
+ Presumo que vai começar a aprender a nadar bem cedo, tendo em conta o pai que tem.
DG – Sim! Falei recentemente com o diretor da Seleção que trabalha no Jamor para saber se havia muita disponibilidade. A idade mínima são seis meses. Quero muito que ela aprenda a nadar. Vivemos num país rodeado de água e penso que devia ser obrigatório a aprendizagem da natação nas escolas. Os nossos governantes deveriam apoiar nesse sentido para que Portugal seja um caso de sucesso. Na Austrália, a maioria dos habitantes sabe nadar. Quero que ela saiba nadar para que se um dia estiver numa situação de risco saiba desenrascar-se.
Por Rafael Godinho