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Record – Quem é a Carolina João fora do barco?
Carolina João – Gosto de treinar também a parte física, gosto de passear, de ver séries e filmes, de estar com os meus amigos... mas sempre com o Desporto bastante presente no meu dia a dia. É assim a minha rotina quando não estou em prova nem a estudar.
R – Estranho seria se o que estuda não estivesse ligado à área do Desporto...
CJ – Não tem mesmo nada a ver. Estudo Engenharia Química. Sempre fui boa aluna e gostei de matemática e físico-química porque tinha bastante facilidade em absorver aquelas matérias. Sempre fui muito boa e dei-me bem com números e contas e o facto de os meus pais serem, os dois, engenheiros químicos teve influência, naturalmente. Acabei por lhes seguir as pisadas.
R – Pretende colocar em prática os estudos?
CJ - Está a correr tudo bem mas isto é sempre um plano B. Para já fica na gaveta, mais tarde quero fazer uma pós-graduação ou tirar um mestrado na área da gestão para conseguiu trabalhar nessa área. Mas para já o objetivo passa por tirar o curso e focar-me ainda mais na vela.
R – A Santa Casa da Misericórdia também teve um papel importante neste sentido.
CJ - Sem dúvida. Agradeço bastante à Santa Casa pelas bolsas da educação! A verdade é que são uma grande ajuda e acabaram por pagar-me as propinas da faculdade.
R – Sem este apoio, ‘aventurava-se’ da mesma maneira na faculdade?
CJ -Aventurava-me porque valorizo o curso e penso que é importante para a minha formação. Apesar de a vela ser um desporto bastante completo e, de certa forma, intelectual acho importante ter formação noutra coisa.
R – Juntou-se ao Sport Algés e Dafundo e não mais de lá saiu. Correto?
CJ – Sim, e muito lhes devo. Graças ao meu clube e ao meu treinador - que continua a ser o mesmo -, estou onde estou. Puxaram muito por mim, apoiaram-me bastante em todas as fases e acreditaram muito em mim e no meu potencial. Como já disse, a vela é um desporto caro e termos ao nosso lado uma estrutura que nos deposita confiança, que nos reconhece potencial para chegar, no meu caso, aos Jogos, torna de facto tudo mais fácil. Tive a sorte de ter um treinador, um clube e, mais tarde, a federação confiantes em relação ao que podia acrescentar na modalidade.
R – Tem atrás de si uma estrutura presente, também por isso justifica esse seu perfil vencedor?
CJ – Sou mesmo assim. Às vezes temos tropeções, mas depois vamos evoluindo. Penso que o segredo neste percurso é mesmo saber aprender com os erros, porque só assim podemos evoluir verdadeiramente. E digo isto no ponto de vista pessoal e enquanto velejadora. Analisar e corrigir sempre fez parte do meu percurso
R – Está provado que a vela é um desporto de baixo risco no que diz respeito à Covid-19. Fica mais confortável, mesmo sabendo que vai cruzar-se com atletas de toda a parte nos Jogos?
CJ – Nesse aspeto temos muita sorte, porque a verdade é que durante a competição corremos, de facto, muito pouco risco de infeção, uma vez que estamos sozinhos no barco. De qualquer maneira, todos os campeonatos são feitos tendo em atenção as normas de prevenção impostas e estamos controlados com testes, por isso sinto-me bastante confortável.
R – Como é que geriu o confinamento? Como foi treinar sem barco?
CJ – Parámos em março e, se não estou em erro, retomámos os treinos em maio. Até lá fazia treinos bidiários e tentei aproveitar para crescer fisicamente. O que fiz resumiu-se a treinos de ginásio e de bicicleta.
R – E como foi regressar ao barco?
CJ - Confesso que, no início, foi uma sensação um pouco estranha. Notava-se realmente que não estava tão à vontade no barco, sentia-me um pouco presa quando regressei do confinamento. Mas é natural, foram dias e dias sem andar à vela e isso notou-se muito.
R – Demorou a entrosar?
CJ -Sim, demorei algum tempo a sentir-me confortável novamente dentro do barco.
Santa Casa já entregou 325 bolsas
Assim como com Carolina João, a Santa Casa da Misericórdia tem tido um papel fundamental na educação dos atletas. Desde 2013, os Jogos Santa Casa já atribuíram 325 bolsas de Educação, o correspondente a mais de 920 mil euros desembolsados e a 181 desportistas beneficiados. Com estas bolsas, a entidade tem por fim procurar uma melhor conciliação entre o Desporto e os estudos dos atletas olímpicos e paralímpicos, assim como combater uma das grandes lacunas: o abandono escolar precoce por parte dos atletas de alta competição, muitas vezes confrontados com dificuldades em conjugar, com sucesso, a carreira desportiva com o percurso académico.
Nos Jogos Olímpicos de Tóquio, por exemplo, poderão vir a estar presentes 24 atletas bolseiros. Mas desde há oito anos, mais de cem nomes se juntaram à lista. Foi o caso de Afonso Duarte Costa, do remo (mestrado em Ecoturismo); de Afonso Pinhal do Canto, do triatlo (mestrado integrado em Medicina); ou de Carina Paim, do atletismo (curso técnico-profissional de Desporto).
Por Rita Pedroso