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A Federação Portuguesa de Judo (FPJ) esclareceu junto das associações o sufoco financeiro que vive, em função da dívida deixada pela anterior gestão à Federação Internacional e à Universidade de Coimbra, um pouco acima do milhão de euros.
"É imperioso que se diga que a FPJ se encontra numa situação financeira de extrema gravidade graças quase em exclusividade à dívida à Universidade de Coimbra (370.633,03 euros) e à dívida à Federação Internacional de Judo (800.000 euros)", refere a carta enviada no início de janeiro às associações da FPJ.
Em declarações à agência Lusa, o presidente do organismo, Sérgio Pina, explicou a necessidade de detalhar cada valor de dívida e o período a que se reporta, depois de uma entrevista a 7 de janeiro do anterior presidente, Jorge Fernandes, ao diário 'As Beiras'.
"É óbvio que nós não queremos vir lavar roupa para a praça pública, nós queremos resolver as coisas dentro de portas, queremos resolver todos estes problemas, juntando e unindo toda a família do judo", adiantou o atual presidente.
Sérgio Pina explicou que os pagamentos em dívida decorrem com um plano de valores junto da Federação Internacional (FIJ), que perdoou parte da dívida total, mediante o cumprimento de prazos, e que já foram saldados 400.000 euros, estando previsto pagar a outra metade este ano, em fevereiro e junho.
A dívida chegou a colocar em risco a participação sob bandeira portuguesa nas competições internacionais, entre as quais os Mundiais em Budapeste, em junho de 2025, mas a mediação do Comité Olímpico de Portugal (COP) permitiu um entendimento.
Os valores acordados em 2021 com a FIJ previam o pagamento de quatro Grand Prix entre 2022 e 2025 (no valor de 250.000 euros cada) e o Mundial de juniores de 2023 (300.000).
"Se não cumprirmos, irá ser cobrado, irá ser exigido tudo isto que nos está a ser perdoado", disse ainda à Lusa o dirigente, em relação à obrigatoriedade que existia junto da FIJ no pagamento da contratualização do Grand Prix de 2025 e de receitas não obtidas pelo organismo internacional em matéria de marketing e patrocínios.
Acresce a este problema uma dívida de 320.000 euros à Universidade de Coimbra, inflacionada em 50.000 euros de juros (370.000 no total), relativos a exames clínicos durante a pandemia da Covid-19, entre setembro de 2021 e dezembro de 2022.
Cenário que levou a Universidade de Coimbra a interpelar em 2024 a FPJ em relação a essa dívida, iniciando-se um plano de pagamento a 36 meses e que teve início em outubro de 2024.
"Fomos apanhados de surpresa, como é óbvio, definimos um plano de pagamento juntamente com o seu reitor [da Universidade de Coimbra] e com o escritório de advogados que estava a tratar da matéria e estamos a fazer já", disse ainda Sérgio Pina, adiantando que o prazo irá até 2027.
O dirigente reiterou que a carta enviada em 09 de janeiro às associações teve o objetivo de esclarecer detalhadamente o processo em dívida, após as declarações do anterior presidente, que considera uma brutalidade a introdução de taxas às associações.
Jorge Fernandes disse que as taxas são uma "brutalidade" e lembrou que o "judo sempre se pautou pela diferença".
"Todas as associações, ou a generalidade delas, propuseram... Repare, as associações propuseram estar na altura de a Federação começar a ser mais independente e fazer aquilo que todos os outros fazem, que é cobrar taxas", explicou o atual responsável.
Sérgio Pina refutou as acusações do seu antecessor e esclareceu que cada praticante tem uma taxa anual de 15 euros e taxa de inscrição em prova, um cenário que saiu das próprias associações, defendendo uma política de aproximação, com reuniões mensais com os delegados e a FPJ.
Por Lusa