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Nas MMA como em qualquer desporto, é possível ganhar com uma má exibição ou perder com uma boa. Mais difícil é ganhar um combate e sair do octógono como o homem mais odiado num raio de muitos quilómetros. Foi este feito ingrato que Anderson Silva alcançou no combate principal do UFC 97.
Silva, que já tinha sido criticado pela sua postura muito pouco agressiva no duelo contra Patrick Cote, venceu Thales Leites por decisão unânime dos juízes num combate com pouquíssimos motivos de interesse. Em face das declarações do campeão brasileiro em como pretende abandonar as MMA no final do seu contrato com a UFC (restam-lhe 4 lutas), muitos começam a recear que os últimos combates de Silva sejam absolutamente penosos, não para os adversários mas sim para os fãs. Depois de uma carreira a destruir os seus oponentes sem piedade, Silva parece achar que já chega de combater a sério e estar agora disposto a terminar o seu contrato apenas com vitórias por decisão. Foi o que aconteceu contra Leites, e teria provavelmente sido o desfecho do combate contra Patrick Cote, caso este não se tivesse lesionado sozinho no terceiro assalto. Que fazer agora com este campeão que se recusa a dar espectáculo é uma pergunta à qual Dana White, o presidente da UFC, vai ter de responder.
O combate de Anderson Silva contra Thales Leites começou com ambos os lutadores a contornarem-se, sem desferir qualquer golpe, durante mais de um minuto. Daí para a frente, foi sempre a descer. Com Silva em aparente greve de esforço, fazendo apenas o mínimo para garantir que a decisão dos juízes lhe seria favorável, foi Leites quem teve de tentar ter a iniciativa, mas cedo descobriu que o fosso entre a sua categoria e a do seu adversário era inultrapassável. O seu momento alto aconteceu no segundo assalto, quando conseguiu levar Silva para o chão, porém o lutador de Curitiba nunca esteve realmente em perigo e conseguiu voltar a levantar-se com facilidade. No terceiro assalto as energias de Leites esgotaram-se, e a partir daí o carioca passou a optar repetidas vezes pela estratégia de se deixar cair depois de uma troca de golpes, na esperança de conseguir levar Silva para o jogo de chão... ou simplesmente para descansar um pouco. Contudo o campeão, apesar de deixar bem evidente a todos que poderia terminar com o combate quando lhe apetecesse, preferiu deixar os minutos até ao final do combate arrastarem-se, em meio a um coro imenso de vaias e cânticos dedicados a Georges St. Pierre.
Anderson Silva provou novamente que está a anos-luz de distância dos restantes lutadores na categoria de pesos médios, porém parece decidido a fazer o público odiá-lo. Contra Thales Leites adoptou comportamentos de autêntico bully, humilhando o seu compatriota durante 25 minutos quando podia perfeitamente ter vencido por KO assim o quisesse. Mais do que ao público, estas atitudes devem estar a deixar Dana White completamente exasperado, ou não costumasse ele apontar Silva como o melhor lutador pound for pound do mundo, em detrimento de um certo russo que a sua organização ainda não conseguiu contratar.
O UFC 97 pode também ter sido um marco para Maurício "Shogun" Rua. Contrariando as previsões da equipa de MMA do Record Online e dando razão ao leitor Pontolino, o lutador brasileiro surpreendeu Chuck Liddell perto do final do primeiro assalto e conseguiu a vitória por TKO. Rua pareceu apresentar-se em melhor condição física que nas duas contendas anteriores, porém o facto de o combate ter sido relativamente curto não nos permite afirmar ainda que o velho "Shogun" está de volta. Caso esteja, os adversários que se preparem. Já Liddell acumulou a quarta derrota em cinco combates, e a reforma parece cada vez mais ser inevitável.
No segundo combate principal da noite, Rua apresentou-se cheio de confiança e disposto a relançar a sua carreira. Embora não tenha demonstrado a agressividade de outrora, "Shogun" fez uma luta muito inteligente, minando as pernas de Liddell com pontapés. A meio do assalto Rua desviou-se de um cruzado de direita e conseguiu o takedown, tentando imediatamente um leglock, que no entanto Liddell conseguiu evitar. A um minuto do fim foi a vez do norte-americano conseguir levar Rua para o tapete, porém Liddell não quis arriscar o jogo de chão com um praticante de jiu-jitsu brasileiro e preferiu retomar o combate em pé. Esta decisão não terá sido porventura a mais acertada da sua vida, já que 15 segundos depois Rua derrubou-o com um directo de esquerda ao queixo e terminou a contenda com umas marteladas da sua mão direita. Resta saber se não terá acabado também com a ilustre carreira de Liddell.
Lista completa de resultados:
Anderson Silva venceu Thales Leites por decisão unânime.
Sam Stout venceu Matt Wiman por decisão unânime.
Maurício Rua venceu Chuck Liddell por TKO (4:28 do primeiro assalto).
Krzysztof Soszynski venceu Brian Stann por submissão (3:53 do primeiro assalto).
Cheick Kongo venceu Antoni Hardonk por TKO (2:29 do segundo assalto).
Luís Arthur Cane venceu Steve Cantwell por decisão unânime.
Denis Kang venceu Xavier Foupa-Pokam por decisão unânime.
Nate Quarry venceu Jason MacDonald por TKO (2:27 do primeiro assalto).
Ed Herman venceu David Loiseau por decisão unânime.
Mark Bocek venceu David Bielkheden por submissão (4:57 do primeiro assalto).
T.J. Grant venceu Ryo Chonan por decisão maioritária.
Eliot Marshall venceu Vinny Magalhães por decisão unânime.