Depois de seis semanas sem ação nas pistas, o MotoGP volta este fim de semana em Silverstone, para um Grande Prémio da Grã-Bretanha onde a expectativa será elevada. Primeiro para perceber se o estado das coisas, com um domínio avassalador da Ducati, se irá manter, ou se, pelo contrário, uma outra força aparecerá. E depois, para os portugueses, para ter a possibilidade de ver a melhor versão de Miguel Oliveira, depois de uma primeira fase verdadeiramente para esquecer.
AS CONTAS DO CAMPEONATO
Campeão em título, Pecco Bagnaia chegou a esta paragem de verão numa posição bem distinta da do ano passado. Em 2022, depois de uma primeira metade menos bem conseguida, o italiano era somente 3.º no campeonato, com menos 49 pontos do que Fabio Quartararo e a 27 de Aleix Espargaró. Ora, será precisamente isso que o italiano da Ducati tentará evitar, isto é, que alguém lhe recupere uma diferença tão grande nesta segunda metade. Em teoria, olhando ao que as máquinas transalpinas fizeram na primeira parte do Mundial, será difícil isso suceder... mas nunca se sabe.
À entrada desta segunda metade, Pecco tem 35 pontos de avanço para Jorge Martín e 36 para Marco Bezzecchi, ambos com máquinas da Ducati. O mais direto adversário vindo de outra fábrica é Brad Binder, da KTM, mas já a 80 pontos. Ainda assim, com 37 pontos como máximo que um piloto pode atingir em cada ronda, num ápice poderemos ter surpresas em casos de abandonos. Uma coisa é certa, Bagnaia tem tudo bem encaminhado. Resta apenas sentenciar.
1. Francesco Bagnaia, 194 pontos
2. Jorge Martín, 159
3. Marco Bezzecchi, 158
4. Brad Binder, 114
5. Johann Zarco, 109
6. Luca Marini, 98
7. Jack Miller, 79
8. Aleix Espargaró, 77
9. Fabio Quartararo, 64
10. Álex Márquez, 63
...
17. Miguel Oliveira, 27
O QUE FALTA DISPUTAR
Depois de oito etapas entre março e junho, o Mundial arranca para uma segunda metade com doze rondas no espaço de menos de quatro meses. Teremos até vários fins de semana com provas consecutivas, com especial destaque para dois períodos nos quais teremos corridas em três fins de semana. A intensidade promete ser máxima e, nesta fase, com os pontos das Corrida Sprint também em jogo, qualquer erro pode ser decisivo para o desfecho do campeonato. Afinal de contas, estão em disputa um máximo de 444 pontos (caso um piloto consiga vencer a Sprint e a corrida principal). É muito ponto... e muito para decidir!
Ronda 9: Grã-Bretanha (6 de agosto)
Ronda 10: Áustria (20 de agosto)
Ronda 11: Catalunha (3 de setembro)
Ronda 12: San Marino e Riviera de Rimini (11 de setembro)
Ronda 13: Índia (24 de setembro)
Ronda 14: Japão (1 de outubro)
Ronda 15: Indonésia (15 de outubro)
Ronda 16: Austrália (22 de outubro)
Ronda 17: Tailândia (29 de outubro)
Ronda 18: Malásia (12 de novembro)
Ronda 19: Qatar (19 de novembro)
Ronda 20: Comunidade Valenciana (26 de novembro)
E MIGUEL OLIVEIRA?Para o piloto natural de Almada esta segunda metade do campeonato será quase como se representasse... o início do campeonato. Com apenas 27 pontos nos primeiros oito Grande Prémios, Miguel Oliveira leva já para casa, mesmo ainda com tanto para decidir, o indesejado 'prémio' de piloto mais azarado do ano. Apenas competiu em cinco desses fins de semana, tendo inclusivamente apenas terminado duas corridas (e duas sprint). Muito por culpa daquele acidente de Portimão, quando foi 'varrido' por Marc Márquez. Depois disso, falhou a Argentina, voltou nos Estados Unidos e exibiu-se em bom plano, antes de em Espanha ter voltado a ser atirado corrida fora, neste caso por Fabio Quartararo. Falhou Le Mans por causa da lesão sofrida, voltou para retirar-se em Mugello, antes de ser 10.º na Alemanha. Em Assen, antes da paragem, retirou-se bem cedo por problemas na sua Aprilia.
Veremos o que lhe reserva a segunda metade da temporada. O primeiro passo é afastar o azar que teve neste arranque. O seguinte será mostrar o talento que todos lhe reconhecem. E a Aprilia também colaborar...