Valentino Rossi fala em falsidade no MotoGP: «Agora são todos amigos, abraçam-se...»

• Foto: Getty Images

Depois de 24 anos no Mundial de velocidade - desde as 125cc até às MotoGP - Valentino Rossi deixou uma marca forte no campeonato e, à sua saída, o vazio deixado foi notado. As bancadas deixaram de estar tão povoadas com a mancha amarela e, na opinião do lendário piloto italiano, o campeonato voltou ao que era... antes da sua chegada. Esse é um dos factos que considera como negativo no atual MotoGP, tal como a forma como os pilotos se comportam entre si.

"Depois da minha saída, o MotoGP voltou ao que era antes: um desporto para os entusiastas. Eu consegui, por esta e outra razão, abri-lo às avós e aos jovens. Não sei porquê, mas talvez tenha sido uma mistura entre os meus resultados e a minha forma de ser. Nos anos 90 os desportistas eram vistos como lendas - lembro-me do Maradona ou do Senna. A cultura mudou. Quem é o Senna de agora? O Hamilton, talvez, mas já não vai para novo", começou por dizer, ao 'La Stampa'.

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Rossi olha para o mundo atual e assume que, pela pressão das redes sociais, os pilotos têm de ser (falsamente) politicamente corretos. "Agora tudo o que dizes vai parar a 300 sites e vais levar com as consequências pelo menos durante duas semanas. Dás uma entrevista de meia hora e todos vão à procura de um título picante. Isso é irritante. O que acontece? Há uma atitude politicamente correta falsa entre os pilotos. São todos amigos, abraçam-se. É bonito? Eu gostava mais do antigamente, quando dizíamos o que pensavamos. É humano quando tens algo contra alguém que faz a mesma coisa que tu ou consegue ser melhor. Quer sejas um médico, um pizzaiolo, um piloto. Ter algo sempre a esconder torna as coisas mais falsas".

A fechar, o lendário piloto italiano, que agora se dedica às quatro rodas em provas de resistência, assume por vezes sentir saudades... mas depois elas desaparecem. "Os resultados que obtive na minha carreira impedem que sinta alguma melancolia. Mas, às vezes, quando vejo um Grande Prémio, desejo estar lá... mas depois penso que já fiz a minha parte. Agora é a vez deles".

Por Fábio Lima
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