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Sébastien Ogier chega a Portugal, este ano, sem a obrigação de ter de abrir a estrada nas classificativas de sexta-feira. Vai ser o oitavo na ordem de partida, um cenário bem mais animador para o francês, de 38 anos e oito vezes campeão do Mundo.
"Sim, claro, é bem melhor do que aquilo que tive nos últimos anos, em que tinha de abrir a estrada, então espero que me ajude. Ao sair do 8.º lugar já vais com boas linhas nos troços. Nos últimos anos saía à frente e complicava a tarefa", começou por dizer.
"Temos novo carro híbrido e um primeiro rali de terra, pelo que ainda não dá para saber quem terá a melhor arma neste rali, é cedo para tirar conclusões sobre a concorrência. O Ott Tänak sai de 5.º, ou Elfyn que sai atrás de mim, ou o Dani podem ser, na teoria, os mais perigosos, mas veremos", acrescentou Ogier, que espera voltar a dar espetáculo em Portugal rivalizando com Sébastien Loeb, tal como sucedeu no Monte Carlo.
"Desejo de vingança? Não, não vejo as coisas assim. Já temos muitas corridas e duelos na bagagem, uma vez ganha um outra vez outro. Infelizmente não venci no Monte Carlo. Mas espero que possamos batalhar nos lugares de topo, seria espetacular e sei que os adeptos também esperam isso. Faremos o máximo. Mas não vejo isto só entre Loeb e eu", comentou.
Ogier foi um dos campeões presentes no jantar comemorativo dos 50 anos do Mundial de Ralis, na Exponor. Record perguntou-lhe se o francês se sente a maior lenda dos ralis: "A maior não, uma das maiores sim, porque fiz coisas belas ao longo destes anos. Costumo dizer e repito, sem arrogância, que fui o melhor da minha geração, o Séb [Loeb] foi o melhor da sua geração, mas eu tenho uma admiração enorme por pilotos como Carlos Sainz, Tommi Mäkinen, Juha Kankkunen, Walter Rohrl, que tiveram carreiras excecionais na respetiva época. Se calhar na altura era difícil ser-se tão dominador como é possível hoje. Mas é para mim difícil comparar gerações."
E concluiu: "Tenho um orgulho enorme de pertencer a este grupo de lendas - com S - dos ralis. É uma questão que ficará para sempre, fãs e jornalistas terão sempre como argumentar por um ou outro. O Séb tem mais títulos, eu também fiz coisas que ele não fez, com outras equipas e contextos diferentes. Agora são três gerações que se batem nos ralis… E não é todos os dias que podemos ver isto no desporto."
Por André Gonçalves