_
O Dakar tem destas coisas... O português Paulo Gonçalves pode ter dito adeus ao tão almejado pódio - pelo menos para já, isto caso não seja feita nenhuma retificação no tempo... -, mas esta terça-feira mostrou ter bem presentes os valores do rali de todo o terreno mais complicado do Mundo. Assim, ao passar pelo compatriota Ruben Faria, que sofrera uma aparatosa queda, o campeão mundial não pensou duas vezes e parou para auxiliá-lo.
Depois de passar em 5.º no oitavo ponto de controlo - a apenas 5.40 minutos do mais rápido-, Paulo Gonçalves deparou-se com um Ruben Faria em evidentes más condições físicas e pelo sítio do acidente ficou, até chegar o helicóptero que levaria o compatriota para o hospital. Ao todo, Paulo Gonçalves terá ficado mais de duas horas no mesmo local a ajudar Ruben Faria.
"Assim que vi o Ruben caído parei de imediato a prova e chamei a assistência médica, ficando com ele até à chegada do helicóptero. Não me pareceu ter nada de grave, já sei que está bem e que vai ter de ficar um ou dois dias internado apenas para observação", declarou o campeão mundial após a tirada.
Depois, com o compatriota rumo ao hospital, "Speedy" arrancou rumo à meta, onde chegou com 2:13.56 horas de atraso para o vencedor, em 66.º. Na geral, é 28.º, a 2:22.06 horas do líder Barreda Bort. No entanto, é bem possível que a organização devolva o tempo perdido ao piloto português, em face da atitude de desportivismo evidenciada.
O (mau) exemplo francês
Curiosamente, esta não é a primeira vez que Paulo Gonçalves pára para ajudar um colega de aventura. Em 2012, quando viu Cyril Despres preso na lama, o piloto nacional resolveu parar e ajudar o francês a sair daquela zona. Até aí tudo bem... O pior veio depois. Com o seu problema resolvido, Despres não se importou com Gonçalves e arrancou sem sequer olhar para trás, deixando o português preso na lama, entregue à sua sorte.