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Os pilotos de mota portugueses Hélder Rodrigues, Paulo Gonçalves (Honda) e Rúben Faria (KTM) lamentaram esta quarta-feira que o francês Cyril Despres, pentacampeão do Dakar, tenha trocado a categoria das motos pelos carros já na edição de 2015.
"Este ano não lhe correu muito bem, mas o Cyril é um piloto que já ganhou cinco vezes o Dakar. Ele queria ir para os carros, mas é um grande atleta nas motas. Era sempre alguém a abater", disse à agência Lusa Hélder Rodrigues (Honda), que na edição deste ano ficou no quinto lugar, alguns segundos apenas atrás do piloto francês (que correu na Yamaha). A Peugeot, que em 2015 regressa ao Dakar após uma ausência de 25 anos, confirmou hoje que Cyril Despres, de 39 anos, pilotará um dos seus carros, ao lado do espanhol Carlos Sainz, antigo campeão do mundo de ralis. A imprensa francesa também escreve hoje que Stephane Peterhansel, 11 vezes vencedor do Dakar em motas e carros, poderá ser o terceiro piloto da marca francesa.
"Gostava que o Cyril tivesse ficado nas motas, já que era sempre alguém que nos ensinava, com quem aprendíamos alguma coisa. Mas também fico contente por ele ir para os automóveis, acho que é bom para ele e para a carreira dele", acrescentou Hélder Rodrigues. Já Paulo Gonçalves (Honda), protagonista de um episódio caricato com Cyril Despres no Dakar2012, também lamentou a saída do francês das motas. No Dakar2012, o francês (na altura em perseguição do primeiro lugar) deixou a sua KTM atolar-se num lamaçal e beneficiou da ajuda do piloto português, mas quando este solicitou o mesmo apoio, Cyril Despres largou a grande velocidade, deixando Paulo Gonçalves atolado. "A verdade é que se perde um dos grandes intervenientes na luta das motas, não só no Dakar como em qualquer rali do campeonato do mundo. Mas julgo que para ele foi um passo em frente na carreira, porque a maioria dos pilotos sonham, depois de vencerem títulos nas duas rodas, passar para as quatro rodas", disse à Lusa Paulo Gonçalves. O piloto português acrescentou que, apesar da saída de Despres, não faltarão protagonistas para a luta nas motas e salientou que o "episódio da lama" com o francês está mesmo ultrapassado.
"Isso já foi há três anos, ele na altura explicou-se. Bem ou mal, é uma situação em que não podemos ficar agarrados ao passado. Já está ultrapassado", garantiu Paulo Gonçalves, que foi forçado a abandonar a prova em 2014 quando a mota se incendiou. Antigo colega de Cyril na KTM, Ruben Faria é mais reservado quando ao piloto de quem foi mochileiro na edição de 2013. Ainda assim, o piloto algarvio "acha bem" a passagem do francês para os carros. "Claro que era bom que ele estivesse nas motas, mas é mesmo assim", disse apenas. Rúben Faria (KTM) abandonou a prova na edição deste ano, após uma queda nas etapas iniciais. O Dakar2015 arranca (a 4 de janeiro) e termina (a 17 de janeiro) em Buenos Aires. Pelo meio, 9.000 quilómetros divididos por 13 etapas em três países - Argentina, Chile e Bolívia - que serão anunciadas na próxima semana pelos países anfitriões.