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Paulo Gonçalves, campeão mundial de todo-o-terreno em motos, deixa hoje Portugal em direção ao maior rali do Mundo, onde este ano tem aspirações concretas à vitória final.
“Sinto imenso apoio e carinho da família, amigos e admiradores, que me pedem para trazer o título. Não o posso prometer, mas vou lutar pela vitória”, assegurou a Record o motard de Esposende. No entanto, o piloto da Honda não quer entrar em euforias antes do tempo, até porque a concorrência é forte e o Dakar é “uma corrida de 13 dias em que todos os detalhes contam”. Ainda assim, mostra-se confiante em fazer uma grande prova.
“É normal que antes da partida, quando já falta tão pouco para começar a prova, haja um pouco de ansiedade, mas acredito que quando chegar a Buenos Aires e encontrar o ambiente a que estou habituado, tudo irá passar. Sei que fizemos um ótimo trabalho desde o início do ano e espero agora apresentar-me em grande nível”, afirmou Gonçalves, que hoje viaja do Porto para Madrid, fazendo depois a ligação entre a capital espanhola e Buenos Aires, num voo de cerca 12 horas. “Já fiz algumas vezes a viagem, não é muito confortável, mas estamos habituados a percorrer muitos quilómetros em cima da moto, é como se fosse uma outra etapa”, explicou o campeão do Mundo de todo-o-terreno, título que conquistou perante a concorrência do espanhol Marc Coma (três vezes vencedor do Dakar) e que lhe dá outra visibilidade, isto num ano em que é piloto oficial da marca japonesa.
“Temos ainda uma semana para testar a nova moto já no local da competição, para fazer os últimos acertos, pequenas afinações. Há ainda muito trabalho a realizar antes da 1.ª etapa [começa a 5 de janeiro e termina a 18]. E é preciso habituarmo-nos ao clima e ao fuso horário”, disse Gonçalves, pronto para começar a aventura sul-americana.
Boicote em etapa boliviana não preocupa
Pela primeira vez a Bolívia integra a rota do Dakar sul-americano. No entanto, a população indígena daquele país está atualmente a fazer um braço-de-ferro com o governo de Evo Morales e ameaça bloquear a passagem dos motards (os carros não competem na Bolívia) pela região que recebe a 7.ª etapa da prova, que liga Salta a Unyuni, num percurso de cerca de 800 quilómetros. “Essa é uma questão que tem de nos passar a lado, não deve preocupar-nos. Estamos preparados para correr ou não na Bolívia. Contudo, acredito que os organizadores da prova e o governo boliviano vão conseguir ultrapassar esta situação, que julgo ser política”, referiu Paulo Gonçalves, que na última edição do Dakar terminou a maior prova do Mundo na 10.ª posição.