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O piloto Bruno Martins, que compete na categoria SSV com um Polaris da equipa lusa Santag, tem sido um autêntico 'anjo da guarda' para os compatriotas na 48.ª edição do rali Dakar de todo-o-terreno, na Arábia Saudita.
Depois de já ter ajudado o campeão mundial Alexandre Pinto (Polaris), ao ceder-lhe um amortecedor numa das primeiras tiradas da prova, na sexta-feira, no decurso da sexta etapa, que antecedeu o dia de descanso que hoje se vive no 'bivouac' [acampamento], Bruno Morais teve de rebocar dois dos compatriotas, permitindo que continuassem em prova.
"Ontem [sexta-feira] já parti muito atrás devido aos problemas que sofri no segundo dia, quando parti a caixa de velocidades. Durante a noite, ainda tirei das dunas o Hélder Rodrigues, que tinha partido o motor. A três quilómetros do fim da etapa, apanhei o Alexandre Pinto, que tinha partido a caixa de velocidades", explicou À agência Lusa Bruno Martins.
O piloto da Marinha Grande rebocou o campeão mundial "até ao final da etapa".
"Depois, acabámos por trazê-lo na ligação de 270 quilómetros até à assistência, para poder continuar em prova", frisou, brincando que parecia "uma empresa de reboques".
Nada que atrapalhe o antigo campeão nacional de todo-o-terreno (2017).
"Faz parte. Faço-o com todo o gosto. Somos portugueses e termos um campeão do mundo não é tarefa fácil. Temos o prazer de o poder ter. As nossas funções aqui são as de ajudar", apontou, já mais a sério.
Com 44 anos cumpridos já em pleno Dakar, no passado dia 5, Bruno Martins admite ter "uma personalidade um pouco diferente".
"Somos todos portugueses e somos uma equipa. É com essa entreajuda que conseguimos chegar mais além. Se tivermos uma equipa forte no Dakar, os portugueses conseguem chegar mais longe", garante.
Apesar de estar mentalizado que o seu papel nesta edição do Dakar seria a de 'mochileiro' de pilotos como João Dias ou Hélder Rodrigues, ambos da Santag, lamenta os problemas mecânicos que o atrasaram irremediavelmente.
"O Dakar é uma paixão antiga. Esta era umas principais vertentes do meu trabalho aqui. Quanto mais à frente estiver, mais rápido é o socorro", explica o piloto leiriense, que já tinha participado no Dakar na América do Sul, em 2019.
Hélder Rodrigues já tinha dada a etapa por terminada quando viu surgiu o 'anjo da guarda'.
"Nunca tinha ficado no deserto. Percebi que ninguém nos ia rebocar. Quando chegou o Bruno já tinha jantado e estava deitado na areia. Ele ajudou-nos a tirar de lá o carro", contou à agência Lusa.
O piloto natural de Sintra vai, agora, "tentar lutar por vencer etapas", pois o tempo perdido já não lhe permite aspirar a um bom lugar à geral. "Para mim, o mínimo é lutar pelos cinco primeiros. Não faz muito sentido andar a lutar por um 10.º ou um 15.º", frisou.
Hoje cumpre-se o dia de descanso da 48.ª edição, após seis etapas disputadas. A competição é retomada no domingo, com uma tirada entre Riade e Wadi Ad Dawasir, com 462 quilómetros cronometrados.
Por LusaAinda assim, piloto portuguesa diz ter sido bem recebida na 48.ª edição do rali Dakar de todo-o-terreno
Competição é retomada no domingo, com uma tirada entre Riade e Wadi Ad Dawasir, com 462 quilómetros cronometrados
O corredor compete atualmente na categoria dos SSV e vai na sua 13.ª participação no Dakar
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