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Chegou este domingo ao fim em Vale Benfeito, no concelho de Óbidos, a 15.ª edição dos Campeonatos da Europa de Jovens de Orientação Pedestre EYOC 2013. Uns Campeonatos marcados pela excelência dos mapas e terrenos de competição, duma organização inexcedível de cumplicidade e atenção para com os 362 atletas de 32 países presentes, de provas marcadas pela emoção e por momentos de superação de enorme significado e valor para os participantes e, por último mas não menos importante, por tempo ameno e um sol radioso, a colocar mais cor e mais vida na paisagem e no rosto de todos.
Ansiosamente aguardada, a prova de Estafetas encerrou os Campeonatos em ambiente de festa e alegria. Envolvendo um total de 92 equipas distribuídas por quatro escalões de competição, a prova ficou marcada pela incerteza quanto ao vencedor até ao derradeiro segundo, envolvendo algumas reviravoltas surpreendentes e um par de resultados inesperados.
No capítulo das reviravoltas, a mais fantástica foi protagonizada pela Suécia no escalão W18, ao passo que a maior surpresa acabou por ser protagonizada pela Hungria, medalha de prata no escalão W16. Quanto aos portugueses, o último dia de provas voltou a não acrescentar algo de substantivo em termos de resultados, tendo a equipa de M16 alcançado o melhor resultado, concluindo na 10.ª posição.
“Na floresta fui apenas eu, o mapa e o percurso”
Partindo por “vagas” em função de cada escalão, a prova de Estafetas teve na Rússia o primeiro vencedor conhecido, no escalão M16. Com um começo muito forte, os russos tomaram conta da corrida logo no percurso inicial e nunca mais o largaram. Grande figura das duas etapas iniciais dos Campeonatos, o finlandês Olli Ojanaho ainda conseguiu encurtar a diferença em mais de dois minutos no derradeiro percurso, mas Pavlenko soube gerir bem a vantagem e chegar ao fim na liderança.
“Foi fantástico, é como um sonho”. Foram estas as primeiras palavras de Aleksandr Pavlenko, o homem que teve o condão de oferecer à Rússia a sua única medalha de ouro nestes Campeonatos. Embora admitindo que a vitória nesta prova estava nos planos do coletivo russo, Pavlenko faz questão de sublinhar o excelente trabalho de equipa, “face a uma Finlândia muito forte, o que valoriza ainda mais este resultado.” A concluir, referindo-se em particular à sua prova e à forma como lidou com a pressão de ter atrás de si o finlandês Ojanaho, referiu: “Procurei fazer a minha prova e esquecer tudo o resto. Na floresta fui apenas eu, o mapa e o percurso.”
“Tinha de vencer”
No escalão W16, passou-se com as checas um pouco do que sucedeu com a Rússia na estafeta masculina de M16. Ao registarem os melhores tempos nos respetivos percursos, Tereza Cechová e Barbora Vyhnálková ofereceram a Barbara Vavrysová uma vantagem suficientemente confortável e que a atleta soube gerir de forma inteligente.
Barbara Vavrysová que, no final, não cabia em si de contente: “Foi a minha primeira participação num EYOC e esta é uma sensação incrível”, começou por referir. Embora dispondo de confortável vantagem à partida para o derradeiro percurso, a atleta assume que “tinha de vencer, tinha de fazer isto por mim e pelas minhas colegas de equipa”. E acrescenta: “Este era o nosso objetivo, o objetivo da República Checa e sinto-me muito feliz por ter sido concretizado.” Mas este é apenas o começo duma carreira que se espera plena de sucesso: “Eu e as minhas colegas teremos certamente a oportunidade de participar mais vezes no EYOC e esta medalha de ouro dá-nos força para pensarmos em novos triunfos no futuro.”
Fecho com chave de ouro
Partindo em desvantagem para o terceiro percurso face às poderosas equipas da Suíça e da Rússia, a Suécia teve em Sara Hagstrom um verdadeiro talismã. Depois das vitórias da passada sexta-feira e de ontem e que lhe valeram os títulos europeus de Sprint e de Distância Longa, a atleta sueca acabou por virar o resultado a seu favor, fazendo o pleno de medalhas de ouro e tornando-se na estrela maior destes Campeonatos. Sara Hagstrom impressionou todos quantos tiveram a oportunidade de acompanhar este EYOC 2013, quer pelas suas qualidades físicas e técnicas, quer pela sua atitude ganhadora, sendo um nome a reter no futuro e do qual a Orientação mundial muito tem a esperar.
Entre gritos de satisfação e os muitos cumprimentos de adversárias e colegas de equipa, Sara acabou por confessar ter sido esta “a vitória mais saborosa”. A atleta revela ter sentido “uma grande confiança quando parti para a minha prova, sabendo de antemão que esta Estafeta iria ser diferente das que fiz até aqui. A única estratégia a seguir era a de fazer a minha prova e não pensar nas minhas adversárias; seria aí que residiria a chave da vitória.” Com a Rússia fora da corrida logo no início do último percurso, devido a um erro tremendo de Marina Trubkina, a luta ficou confinada a suecas e suíças: “Embora deva reconhecer que a medalha de prata já seria excelente, quando entrei para o último ‘loop’ decidi arriscar tudo e acabei por colocar a pressão do lado do adversário.” Até ao final a Suécia soube gerir a sua prova e esta vitória constitui, na verdade, um fecho com chave de ouro duns Campeonatos que, neste escalão, não podiam ter sido mais bem-sucedidos.
Vitória apertada da Finlândia
Por último o escalão M18, aquele onde o despique foi mais ardoroso e onde se viveu a incerteza quanto ao vencedor levou mais tempo a desfazer-se. Finlândia, França, Noruega e Suiça conseguiram manter-se juntos durante os dois primeiros percursos, acabando a prova por se resolver a favor dos dois coletivos nórdicos, com a Finlândia a suplantar a Noruega na parte final e a chegar merecidamente ao ouro e por vantagem superior a um minuto.
Responsável pelo decisivo percurso, o finlandês Aleksi Niemi viveu com esta vitória “um momento de enorme emoção e alegria”, sobretudo depois da prova frustrante de ontem e na qual cometeu “uma enorme quantidade de erros”, disse. Procurando desenvolver a sua corrida “pensando apenas no meu trabalho e esquecendo a presença dos meus adversários”, o finlandês reconhece que esta vitória é de “enorme significando e importância para mim e para o meu País”.
Resultados
W16
1º República Checa 1:24:27
2º Hungria 1:29:55
3º Dinamarca 1:31:52
4º França 1:34:24
5º Finlândia 1:34:34
6º Lituânia 1:37:58
M16
1º Rússia 1:13:59
2º Finlândia 1:15:54
3º Suíça 1:18:15
4º Letónia 1:19:18
5º Hungria 1:21:12
6º Grã-Bretanha 1:21:55
W18
1º Suécia 1:25:14
2º Suíça 1:25:34
3º Rússia 1:30:55
4º Polónia 1:34:50
5º Hungria 1:35:17
6º Noruega 1:36:17
M18
1º Finlândia 1:25:13
2º Noruega 1:26:20
3º Suíça 1:28:25
4º Suécia 1:28:30
5º Bélgica 1:33:57
6º Itália 1:34:32