Na longa entrevista a Ultimate Warrior houve espaço para abordar diversos temas. A antiga figura da WWF não se furtou a comentar a actual situação do wrestling mundial, sem esquecer umas “bocas” a alguns dos actuais lutadores. Mas, antes disso, Record quis saber como se definiria Ultimate Warrior a um alienígena que chegasse hoje mesmo ao planeta Terra (ou, então, os adeptos com menos de 15 anos). E Warrior não se fez rogado: “Discordo que os mais novos não me conheçam, porque os adultos que eram crianças e fãs do Ultimate Warrior passaram bem a mensagem aos mais novos. Com sites como o youtube, a mística vai passando e os miúdos vão entendendo a intensidade única, magia e cor do Warrior. Aliás, recebo mails de pais que contam aos filhos quem eu fui.”
E já que se vai ao baú das recordações, como apareceu o nome da personagem que, no início, era conhecida como Dingo Warrior? “A história verdadeira é a que vou contar e não a que o Vince McMahon conta de forma mentirosa. Nessa altura, apareciam durante os combates umas ‘promos’ no canto do ecrã, com o lutador a apresentar-se. Minutos antes de gravar, o Vince disse que não queria o nome Dingo. Eles ligaram as câmaras e eu nem pensei – ‘Não sou este ou aquele tipo de guerreiro [warrior], eu sou o Ultimate Warrior!’. E a coisa pegou”, explica sem delongas.
A piorar...
Apesar da longa ausência, o lutador manteve contacto com parte do fenómeno. “Não tenho visto wrestling, mas ouço o que se vai passando. E acho que o entretenimento desportivo está a degenerar bastante. As personagens continuam a ter a mesma especificidade que tinham nos anos 90, mas há mudanças. Actualmente, na nossa sociedade, nada é bom ou mau, nada é certo ou errado. Há um relativismo atroz. Já não há guiões normais. Tudo tem de ser mirabolante...”, assinala.
É por estes motivos que Warrior continua a ser ácido em relação a alguns temas, como o movimento de Batista junto às cordas, algo que foi inspirado na sua personagem e que não lhe agrada. “Não gosto que ele imite o meu movimento. Diz que é uma homenagem ao Ultimate Warrior, mas isso comigo não pega. O facto de assumir que é uma homenagem não invalida o facto de ser um desrespeito”, diz. E já que a conversa aqueceu, nada como uma boa provocação. Quais são as actuais estrelas dos ringues que são demasiado empoladas? “Todas! Quando comparados com as estrelas do meu tempo, os actuais lutadores são todos sobrevalorizados.”
A terminar, tempo para recordar o melhor combate da longa e titulada carreira. Resposta na ponta da língua. “Obviamente WrestleMania VI! Também gostei da presença no WM VII devido à contínua criatividade e empenho que coloquei na acção. O impacto daquilo que eu e o Randy conseguimos alcançar no WM VII foi, pessoalmente, igual ao que eu e o Hulk Hogan fizemos no WM VI. São momentos inesquecíveis.”