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Quando esta edição de Record chegar ao contacto com os leitores, já Francisco Lufinha deu o tiro de partida para uma nova aventura. Há cerca de um ano, o antigo campeão nacional de kitesurf, de 31 anos, bateu o recorde do Mundo de distância sem paragens, depois de percorrer 310 milhas náuticas (cerca de 565 quilómetros) entre Gaia e Lagos. Sem conseguir estar parado, hoje propõe-se a ligar as ilhas Selvagens ao Funchal, numa distância de 300 quilómetros.
“Depois do recorde do ano passado ficou o bichinho e por isso quis avançar para o oceano, no ponto mais a sul de Portugal”, começa por nos explicar Lufinha através do único telefone fixo existente nas ilhas do arquipélago da Madeira.
Ir das Selvagens ao Funchal é muito diferente de cruzar o Atlântico. “Apesar de ser uma distância mais curta, vou fazer a travessia no inverno e por isso o frio e o vento podem ter um papel preponderante. E é muito diferente ir pela costa ou pelo oceano aberto, onde estou muito mais sujeito à meteorologia. Na costa era muito mais certo, mais fácil de prever”, continua o aventureiro, que vai “aproveitar” uma frente polar para chegar ao Funchal.
Se algo correr mal, um cenário de evacuação também fica muito dificultado, já que a ajuda é mais limitada do que numa travessia com a costa à vista.
Objetivo
Francisco Lufinha saiu às cinco da manhã das Selvagens, ainda de noite cerrada, e espera percorrer o desafio em cerca de 10 horas. “Queria chegar às 15 horas”, diz, mas, tal a complexidade e risco da aventura, mostra-se menos ambicioso e mais realista. “Podem ser 10, 11, 12, 13 horas... na verdade quero ver se chego antes das 19 horas, porque ainda queria completar a viagem de dia”, adianta.
Ao longo do percurso, Lufinha terá sempre um barco de apoio com equipamentos de satélite, que emitem uma rede de wi-fi de 30 metros, pelo que a viagem poderá ser acompanhada através das redes sociais.
Quanto ao recorde da distância sem paragens, é para bater outra vez: “Ainda não sei quando. Preciso de mais patrocinadores para o fazer. Para já quero acabar este desafio. Um dia de cada vez.”
A dificuldade de chegar ao paraíso
Chegar às ilhas Selvagens foi, desde logo, uma aventura para Francisco Lufinha e toda a equipa que o vai ajudar. “Estamos desde sábado em viagem e a verdade é que já estamos todos muito cansados. Ninguém da equipa de apoio conhecia o local, só eu, que vim cá há dois meses para uma viagem de reconhecimento”, conta. A “comitiva” viajou desde o Funchal, demorando 7 horas a atingir o ponto de partida da travessia. “Mas quando chegamos cá é um paraíso. Temos as ilhas, o mar cheio de peixes, a água quente e as cagarras, aqui no meio do oceano. É um sossego.”