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Pedro Silva é um caso raro na natação portuguesa, por vários factores: despontou para esta exigente modalidade apenas com 23 anos, idade em que alguns já estão a abandonar a alta competição; não é estudante, como a grande maioria dos nadadores federados portugueses, ocupando o cargo de gestor numa instituição bancária; e, não menos importante, é casado, sendo as responsabilidades diferentes das dos seus adversários adolescentes.
Tudo isto faz dele um nadador atípico, que aos 27 anos vai competir nos seus segundos Jogos Olímpicos, onde já será um dos mais velhos da natação, com mais 12 anos que a benjamim Diana Gomes.
O "sonho" do atleta começou em Maio de 2000, quando "emergiu" da profundidade o mais veloz nadador português de sempre (com uma média de mais de dois metros por segundo aos 50 m livres), que até então era um modesto nadador nacional, que quase ninguém conhecia. Nessa época, o seu treinador, Mário Madeira (antigo velocista do Algés), sentiu que tinha em mãos um diamante, muito tosco na aparência, mas rico na essência.
Desde então a carreira de Pedro Silva tem sido sempre a subir, embora um centésimo de cada vez, que numa prova de 50 metros não dá para mais. Estreando-se em grandes competições mundiais apenas no Verão de 2000 (Europeu de Helsínquia), pouco antes de Sydney, o atleta apenas falhou o Mundial de Fukuoka-2001 (considerando as provas em piscina olímpica), estando bem no Europeu de Berlim-2002 (9º lugar, a um da final), e no Mundial de Barcelona-2003, onde foi o melhor português, e único a alcançar o mínimo olímpico.
Para o Europeu de Madrid já este ano, o atleta, que em cinco anos ainda não perdeu qualquer prova a nível nacional, "tinha apostado tudo, para melhorar o tempo, e foi tudo por água abaixo, pois estive engripado já em Espanha; por isso foram uns Europeus um bocado decepcionantes", reconhece o campeão nacional.
E depois de Atenas? "Já em Sydney punha em dúvida a continuidade, e aqui estou eu; é uma incógnita", que possivelmente só será desvendada após os Jogos Olímpicos.
O melhor português no Mundial catalão
O mais rápido português dentro de água foi o primeiro a conseguir o mínimo olímpico B no período prioritário (antes, e fora deste período, só Luís Monteiro fez mínimos). Foi no 10º Campeonato do Mundo FINA, a 25 de Julho de 2003, em Barcelona, onde foi o melhor português, e único a atingir os ambiciosos objectivos propostos, que passavam pela obtenção de mínimos por pelo menos seis atletas.
Com 22,86 igualou aos centésimos o seu próprio recorde de Portugal (que datava de 20 de Maio de 2000), sendo 25º em 165 (!) atletas (recorde absoluto de presenças na prova), a 17 centésimos da meia-final. Esta marca superou também a sua melhor prestação internacional de sempre: 22,91 e o 9º lugar nos Europeus de Berlim em 2002.
«Melhorar Sydney de forma substancial»
Pedro Silva sabe que os 50 m livres são a "prova onde vai toda a gente nuns Jogos Olímpicos", recordando que em Sydney'2000 nadaram 77 atletas, tendo ficado acima de meio da tabela, com um 36º lugar, um pouco aquém das expectativas, mas compreensível para a sua segunda grande competição de sempre.
"Em Atenas quero melhorar, mas de forma substancial", o que na prova mais rápida da natação significa "não só uns centésimos mas uns dois décimos…"Penso que com 22,67 poderia 'dar' uma meia-final, o que era uma boa 'prenda'", refere o velocista. "Mas não me vou comprometer com nenhum tempo, embora seja verdade que com a minha preparação está a correr tudo bem", afirma confiante o nadador do Algés.
Quem é quem
Nome: Pedro Silva
Data de nasc.: 21-01-1977 (27 anos)
Altura e Peso: 1,85 m, 74 quilos
Clube: Algés e Dafundo
Treinador: Mário Madeira
Palmarés: Recordista nacional sénior e absoluto dos 50 m livres com 22,86 (piscina olímpica) e 22,26 (piscina de 25 metros); campeão nacional de clubes da 1ª divisão com o histórico Algés; JO'2000 (36º); Camp. Mundo de piscina curta 2002 (18º); Camp. Europa 2002 (9º); Camp. Mundo 2003 (25º); Camp. Europa 2004 (27º)