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A Associação Regional de Remo do Porto (ARDP) criticou esta terça-feira severamente a despedida de Rascão Marques da presidência da Federação Portuguesa de Remo, lamentando a tentativa de "branqueamento" do seu mandato, em detrimento da "verdade desportiva".
"Rascão Marques não renunciou ao mandato. Perdeu-o na sequência da inexistência de quórum na direção, impossibilitada de desempenhar funções. Um a um, os membros foram-se demitindo, em discordância ou rotura com a personagem. Se já não havia mandato, não poderia haver renúncia", disse a associação.
A ARDP não poupa críticas: "Há poucos dias disse que não se demitiria e foi só o facto de já não ser possível esconder que a direção tinha caído por falta de quórum que fez Rascão Marques vir, num último golpe de manipulação, dizer que foi ele, pelo seu pé, que decidiu renunciar".
A associação mais crítica de Rascão Marques - só as de Setúbal e Beira Litoral estão também em atividade - desafia ainda Rascão Marques a dizer quem colocou em causa a "dignidade, integridade e segurança pessoal dos membros da direção".
"Se a falta de dignidade e de integridade é culpa exclusiva de quem, pelo seu mandato desastroso, perdeu de facto qualquer ponta de dignidade e de integridade, pelos atropelos e ilegalidades que foi cometendo, a queixa de falta de segurança pessoal, no decurso do processo de afastamento que os agentes do remo promoveram é uma acusação gravíssima que tem que ser concretizada, para que seja credível. Quem - e em que circunstâncias - é que alguma vez pôs em risco a segurança pessoal de quem quer que seja", questiona.
A ARDP recorda que o processo de afastamento de Rascão Marques foi "absolutamente transparente e democrático e decorreu somente da exigência da maioria dos clubes, atletas, árbitros e treinadores, para que a sua gestão terminasse de imediato, e a tempo de se tentar salvar uma federação quase a fazer um século de história e que o senhor levou à insolvência e à descredibilização".
A associação portuense defende ainda que a única "revolução" operada pelo antigo dirigente foi a da "criação de permanentes conflitos com todos".
Em causa está, entre outros, a "aceitação de clubes com remo virtual, só para gerir e perpetuar o seu poder, a perseguição dos diversos agentes, o proibicionismo da divulgação da modalidade, a criação de dividas monumentais a tudo e a todos, a fuga às eleições obrigatórias através de um ilegal 'voto de confiança de braço no ar, para prolongar o mandato um ciclo olímpico completo".
O documento de 11 pontos que analisa criticamente os diversos aspetos da gestão de Rascão Marques termina com esperança no futuro, que esta terça-feiracomeça com a tomada de posse de uma comissão administrativa, menos de 24 horas após a queda da direção.
"Importa agora esquecer o consulado desastroso que acaba de terminar, e avançar para uma nova fase da vida da modalidade, que muito pode dar ao nosso país, tentando, tudo fazer para salvar o que restou do remo após a saída do senhor Rascão Marques da presidência da federação", conclui a ARDP.