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António Aguilar considera merecido título de râguebi do Benfica: «Jogávamos sempre contra o 2.º...»

António Aguilar, treinador de râguebi do Benfica
• Foto: Luís Manuel Neves

O título de campeão nacional de râguebi foi "merecido" pelo Benfica, assumiu este sábado o treinador, António Aguilar, lembrando que os encarnados bateram todos os outros candidatos no percurso.

"Quem ganha, é sempre merecido, de uma maneira ou de outra. Mas nós batemos todas as equipas que estavam a lutar connosco", apontou o treinador, em entrevista à agência Lusa, uma semana após conquistar o título.

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O Benfica sagrou-se campeão nacional de râguebi no sábado, pondo fim a um 'jejum' de 25 anos sem vencer o principal escalão competitivo português, apesar de perder em Cascais (28-14), na última jornada da fase de apuramento do campeão da Divisão de Honra.

A conquista começou a desenhar-se ainda na primeira fase, com "uma grande vitória com ponto de bónus em casa do bicampeão, o Belenenses", que funcionou como "um clique", que fez a equipa acreditar "na sua qualidade".

"Todas as jornadas jogávamos contra o segundo [classificado]. Ganhávamos ao Direito, passava o Belenenses para segundo. Ganhávamos ao Belenenses e vinha o Cascais para segundo. Estávamos sempre a jogar primeiro contra segundo e nós sempre em primeiro", recordou António Aguilar.

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Essa "caminhada de três ou quatro vitórias seguidas" na fase final mandou o Benfica "muito para a frente", mas "o jogo-chave final" acabou por ser o triunfo em casa do Belenenses, na sétima jornada da fase de apuramento do campeão.

"Porque sabíamos que se ganhássemos esse jogo, depois, teríamos uma almofada para o final do campeonato. E foi bem precisa. Nas últimas duas jornadas podia ter corrido mal", desabafou.

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É que, nas últimas duas rondas, o Benfica não conseguiu vencer o CDUL (27-27, casa) nem o Cascais (28-14, fora), acabando por segurar o título ao evitar que os cascalenses conseguissem um ponto de bónus ofensivo (4-2 em ensaios) num encontro em que, ao intervalo, os 'encarnados' perdiam por 14-0 (2-0 em ensaios) e estavam reduzidos a 14 elementos.

"Estaria a ser mentiroso ao não dizer que, pelo menos, as dúvidas surgiram. É inevitável começar a pensar 'isto vai correr mal outra vez'. Mas tentámos sempre ser positivos e apelar à tal união, porque tínhamos um jogador a menos para o resto do jogo e, portanto, cada um tinha de dar um bocadinho mais", recordou o treinador campeão nacional.

A "tal união" que começou a ser construída logo no início da época, ainda antes de a bola começar a saltar.

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"A chave do sucesso foi, sem dúvida, o espírito de amizade e de grupo que se conseguiu criar muito rápido. Esse era um dos objetivos, meus e do Chico [Francisco Fernandes, treinador de avançados], criar rapidamente uma amizade muito forte", desvendou à agência Lusa.

Nesse sentido, a procura de jogadores para "juntar à base" que já estava no clube focou-se em "apostar em boas pessoas" que, para "além de [serem] bons jogadores, viessem acrescentar ao grupo".

A grandeza e o "carisma especial" do clube também ajudaram a integrar e a mostrar a "exigência" aos atletas que chegaram do estrangeiro.

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"Muitas vezes levávamo-los aos jogos de futebol para eles perceberem o que era o Benfica. E muito rapidamente eles também se apaixonaram pelo Benfica e depois iam aos jogos sozinhos. Criámos alguns adeptos do Benfica também", revelou António Aguilar.

O antigo internacional português, que disputou o Mundial de França2007, reparte, no entanto, os 'louros' do sucesso com Francisco Fernandes, outro antigo 'lobo' que 'pendurou as botas' um ano após disputar o França2023.

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Apesar de serem de "gerações diferentes", os dois ainda se cruzaram "bastantes anos" na seleção portuguesa, o que não impediu a liderança bipartida de ter um "início um bocado estranho", apesar de ambos terem "ideias de râguebi muito parecidas".

"O Francisco tem um perfil completamente diferente do meu. É um treinador e uma pessoa mais emotiva, mais um 'polícia mau', e eu sou mais calmo, um bocadinho mais ponderado. Esse equilíbrio foi bom para a equipa, tinham os dois lados da balança sempre ali presentes", comentou Aguilar.

O Benfica sagrou-se campeão nacional de râguebi, no sábado, após 25 anos sem vencer o principal escalão competitivo português, o maior 'jejum' da história centenária do clube na modalidade, iniciada em 1924.

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Apesar da 'crise' vivida no último quarto de século, o Benfica é, ainda, um dos clubes mais titulados no râguebi português, com 10 campeonatos nacionais (1960, 1961, 1962, 1970, 1976, 1986, 1988, 1991, 2001 e 2026) e nove Taças de Portugal (1961, 1965, 1966, 1970, 1972, 1975, 1983, 1984 e 1985).

Soma ainda quatro títulos na Taça Ibérica (1970/71, 1985/86, 1988/89 e 2001/02), competição que vai voltar a disputar, na próxima época, contra o campeão de Espanha.

Por Lusa
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